Mostra Competitiva Nacional de Curtas vai exibir 17 ficções, documentários e animações no 24º Festival de Cinema de Vitória

21 de agosto de 2017
Ficção, animação,
documentário são os gêneros da mostra, com sessões de 12 a 15 de setembro, no Theatro Carlos Gomes. 


Divina Luz, de Ricardo Sá

O Espírito Santo tem o maior número de obras selecionadas para a mostra, com cinco produções. Os outros Estados representados são Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Alagoas.

Os tempos difíceis por que passa o Brasil estão refletidos, direta ou indiretamente, nos filmes da mostra.

- “De que forma se posiciona o cinema brasileiro? Movida por esta questão, a seleção permite investigar a recente produção de curtas como respostas ao agora”, comenta o curador, André Dib.

Pesquisador, crítico de cinema e jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco, Dib tem textos publicados em diversos jornais, revistas e sites no currículo, além da cobertura de festivais brasileiros e estrangeiros. Realiza curadorias para mostras, consultorias para festivais de cinema e é membro da diretoria da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema (Abraccine) e do Congresso Brasileiro de Cinema.

O anúncio das produções premiadas será feito no dia 16 de setembro, a partir das 21h, durante a Cerimônia de Encerramento do 24º Festival de Cinema de Vitória.

Premiações

Os filmes exibidos na 21ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas concorrem ao Troféu Vitória em sete categorias: Melhor Filme, Prêmio Especial do Júri, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Contribuição Artística e Melhor Interpretação. Ainda será entregue o Prêmio do Júri Popular, por voto direto dos espectadores da mostra.

Além disso, também concorrem ao Troféu Canal Brasil, que premiará o melhor curta com R$ 15 mil, sob forma de contrato de licenciamento, concedido por um júri específico formado por jornalistas e críticos de cinema. O filme escolhido ainda terá a oportunidade de concorrer com filmes premiados em outras mostras e festivais ao Grande Prêmio Canal Brasil de Curtas-Metragens, no valor de R$ 50 mil.

O curta escolhido como Melhor Filme pelo Júri Oficial da mostra ainda receberá o Prêmio CiaRio-Brasil no valor de R$ 7 mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria junto à empresa Moviecenter com validade de um ano; um voucher no valor de R$ 2 mil para ser usado em qualquer curso e unidade, podendo ou não ser dividido entre a equipe do filme, concedido pela Academia Internacional de Cinema (AIC); e a correção de cor e o encode de um DCP de até 15 minutos, concedido pela Link Digital.

O curta escolhido como Melhor Filme pelo Júri Popular também recebe o Prêmio CiaRio-Brasil no valor de R$ 7 sete mil em locação de equipamentos de iluminação, acessórios e maquinaria junto à empresa Naymar com validade de um ano; e o encode de um DCP de até 15 minutos, concedido pela Mistika.

Obras

“Quem é o presidente do Brasil”?, pergunta a voz fora de quadro, a um enfermo de olhar ausente e fixo na janela embaçada pela chuva. “Ano Passado eu Morri” (Rodrigo de Oliveira) traduz de maneira bastante particular o espírito desses dias difíceis, em que realidade nos desafia frontalmente, assim como “O Olho do Cão” (Samuel Lobo), um doce elogio à amizade e uma amarga constatação dos tempos sombrios em que vivemos.

Entre os filmes de maior ênfase dramática estão “Filme-Catástrofe” (Gustavo Vinagre) que faz uso da força de duas atrizes (Gilda Nomacce e Julia Katharine) e da subversão de convenções do cinema hegemônico para tratar de gênero e sexualidade; “Diamante, o Bailarina” (Pedro Jorge), que se apropria da mise-en-scène dos filmes de luta para colocar no ringue a homofobia; e “Merencória” (Caetano Gotardo), em que o diretor rege corpos e emoções como quem compõe uma partitura.

A sensação de deslocamento em um mundo cada vez mais estranho nos leva a “A Canção do Asfalto” (Pedro Giongo), onde imigrantes chineses que vivem em Curitiba estabelecem com a câmera uma relação delicada e profunda. Por outro lado, nos arredores do Rio de Janeiro, crianças indígenas são observadas em aparente tranquilidade no curta “Em Busca da Terra sem Males” (Anna Azevedo).

Em “The Beast” (Michael Wahrmann e Samantha Nell) e “Estás Vendo Coisas” (Bárbara Wagner e Benjamin de Burca), o olhar estrangeiro surge como antídoto para pensamentos e ações pré-concebidas em torno do racismo imperialista (Europa/África) e da música popular romântica (o brega recifense).

Relações familiares são colocadas à prova em “Eu Me Preocupo” (Paulo Silver), onde o diretor se coloca em modo de autoencenação com a própria mãe, que busca apoio para seguir em frente como mulher; e em “O Quebra-Cabeça de Sara” (Allan Ribeiro), em que a protagonista tenta justificar, em suas contradições, a rigidez em torno da homossexualidade da filha.

Outros mergulhos no universo feminino podem ser conferidos em três instigantes produções capixabas. Em “Territórios do Desprazer” (Maíra Tristão e Mirela Marin), a prostituição é tratada de forma crítica e indignada contra o machismo, enquanto a relação da mulher com o próprio corpo é elemento de emancipação em “Divina Luz” (Ricardo Sá), sobre a dançarina, naturista, atriz, escritora e feminista Luz Del Fuego; e em “A Casa Térrea” (Bernard Lessa), em que corpo e meio ambiente se tornam guias para uma dimensão espiritual.

O curta-metragem é o espaço da experimentação por excelência, e “Vênus Filó, a Fadinha Lésbica” (Sávio Leite) é uma ótima prova disso. Nele, o poema de Hilda Hilst adquire formas inacabadas e provocantes, fruto da fluência criativa de seu diretor e do poder libertário do cinema de animação. 

Em “Juliana na Cinemateca” (Diego Quinderé de Carvalho e Estevão Meneguzzo), a artesania do fazer cinematográfico encontra equivalência na preservação da memória fílmica.

Realização: Galpão Produções e Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA)
24º Festival de Cinema de Vitória, entre dias 11 e 16 de setembro, em Vitória-ES 


Patrocínio: Ministério da Cultura / Lei de Incentivo à Cultura; Petrobras; Cesan e Rede Gazeta
Apoio institucional: Secretaria de Cultura do Espírito Santo, Prefeitura de Vitória e Canal Brasil, Academia Internacional de Cinema, da CiaRio e da Mistika.


SERVIÇO:
24º Festival de Cinema de Vitória
De 11 a 16 de setembro
Teatro Carlos Gomes


21ª MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL DE CURTAS
De 12 a 15 de setembro, a partir das 19 horas

Lista dos filmes selecionados:


A CASA TÉRREA (FIC, 23’, ES), de Bernard Lessa. À beira de casa e à beira do abismo, corre um rio de águas vivas.

A CANÇÃO DO ASFALTO (FIC, 16’, PR), de Pedro Giongo. De noite, quando as ruas estão vazias, o asfalto ecoa a música do silêncio.

DIAMANTE, O BAILARINA (FIC, 22’, SP), de Pedro Jorge. Voe como uma borboleta, ferroe como uma abelha.

DIVINA LUZ (DOC, 14’, ES), de Ricardo Sá. O pensamento de Luz del Fuego, uma bailarina naturalista que balançou o Brasil nos anos 50.

ANO PASSADO EU MORRI (FIC, 25’, ES), de Rodrigo de Oliveira. A Rodrigo, o diretor deste filme, foram dados três meses de vida. Solitário diante da morte, o diretor procura por Eduardo, seu primeiro namorado. Mas Eduardo não responde. Rodrigo e o Brasil talvez não tenham sobrevivido a 2016.

EM BUSCA DA TERRA SEM MALES (DOC, 15’, RJ), de Anna Azevedo. Na mitologia Guarani, Terra sem males é o lugar onde os índios encontram a paz. Nos arredores da cidade do Rio de Janeiro, um grupo indígena sem terra ergue uma pequena aldeia chamada Ka´aguy hovy Porã, Mata Verde Bonita. Ali, crianças crescem entre as antigas tradições, como a língua Guarani, e a cultura das grandes cidades contemporâneas, como o rap. Mas sempre sob a tensão de um dia surgir "os donos da terra" e o eterno pesadelo de, outra vez, terem que sair em busca da terra sem males.

ESTÁS VENDO COISAS (DOC, 17’, PE), de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca. Brega é um termo informal usado para definir várias formas de música popular de massa produzidas no Brasil desde os anos 70 e fortemente associadas a uma noção de mau-gosto. Enraizado em contextos socioeconômicos mais amplos, hoje o Brega incorporou métodos de produção e distribuição sofisticados, dando conta da visibilidade de uma classe média que extrapola as favelas do Brasil. Diferentemente de outras abordagens que comumente satirizam o assunto e enfatizam seus aspectos carnavalescos.

EU ME PREOCUPO (DOC, 19’, AL), de Paulo Silver. A primeira conversa que a gente teve, você lembra?

FILME-CATÁSTROFE (FIC, 19’, SP), de Gustavo Vinagre. Angélica quer trocar sua fechadura.

JULIANA NA CINEMATECA (DOC, 17', RJ) de Diego Quinderé de Carvalho e Estevão Meneguzzo. A cinemateca do MAM no Rio de Janeiro conta com um acervo de 80 mil rolos de filmes. Ocupada com a restauração das obras, Juliana lida com a deteriorização e os constantes dilemas presentes em preservação de filmes.

HOTEL CIDADE ALTA (FIC, 26’, ES), de Vitor Graize. Três homens se encontram em um antigo hotel abandonado. Nesse edifício aparentemente sem vida, eles buscam construir uma nova história. Suas vozes se misturam ao ruído das ruas.

MERENCÓRIA (FIC, 22’, SP), de Caetano Gotardo. Cantor que assim falas à lua/ minha história é igual à tua/ meu amor também fugiu.

O OLHO DO CÃO (FIC, 20’, RJ), de Samuel Lobo. É domingo no Rio de Janeiro, Buck Jones sai para um passeio.

O QUEBRA-CABEÇA DE SARA (DOC, 10’, RJ), de Allan Ribeiro. Em mais um dia de trabalho, Sara junta as peças de seus preconceitos.

TERRITÓRIO DO DESPRAZER (DOC, 18’, ES), de Maíra Tristão e Mirela Marin. História das memórias de quatro mulheres que viveram e trabalharam em São Sebastião, antiga região de meretrício da Grande Vitória (ES), entre as décadas de 1960 e 1980.

THE BEAST (FIC, 23’, SP), de Michael Wahrmann e Samantha Nell. Um dia divertido num safári em algum lugar da África do Sul: o bagageiro Jacob sonha que mata um leopardo com as próprias mãos, Anthea tenta limpar um chalé isolado, Cosmas varre folhas sob a árvore com sinal de celular enquanto escuta as conversas dos turistas e Ndu é um guia-florestal num safári onde não tem bicho nenhum. Shaka, um dançarino Zulu, quer atuar numa peça de Shakespeare, enquanto Thando, sua namorada, lhe diz umas verdades sobre a vida.

VÊNUS - FILÓ A FADINHA LÉSBICA (ANI, 5’, MG), de Sávio Leite. Da espuma do mar, fecundada pelo sangue do céu, nasceu Vênus, deusa encantadora. No conto de fadas animado Filó, uma fadinha lésbica com dedos ágeis, seduz as mulheres de dia, vestido como menino. Mas à noite algo estranho acontece e logo metade da população da Vila do Troço está ansiosamente em fila.

Danielle Ewald

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