Orlando Eller: beleza esquecida, o trem de Soturno, Cachoeiro de Itapemirim/ES

8 de junho de 2017
Em 1961, aos 16, eu estudava no Rio. 

De férias, vim visitar minha família. 

E pelo meio mais barato, pelo trem de passageiros que fazia a linha Rio - Vitória. 

Foram 24 horas de viagem, com desembarque na hoje abandonada estação de Argolas. 


O que me marcou muito foi a passagem do trem por estas encostas de rocha.


Muitos passageiros em pânico se aglomeraram no lado oposto ao precipício, de onde se podiam ouvir rezas ansiosas. Era tudo muito divertido. Debruçado na janela, curti a paisagem, olhando a mata de cima.

A Rede Ferroviária Federal S.A., dona da ferrovia, desativou o trem de passageiros naquele ano.

Uma paisagem irreparável, linda como muitas outras mundo afora que são usadas como fonte de renda turística. 

Aqui essa beleza tão intensa só serve para passagem, só de vez em quando, de um trem preguiçoso lotado de calcário.

Coisa de pobre dono de lugar paradisíaco. Assista:


Orlando Eller é jornalista

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