23º Festival de Cinema de Vitória: no quarto dia homenagem a Dira Paes e sessão especial

17 de novembro de 2016


Nesta quinta-feira (17), o melhor do cinema nacional: 5ª Mostra Corsária; 20ª Mostra Competitiva de Nacional de Curtas: e 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas




O 23º Festival de Cinema de Vitória chega ao quarto dia com uma programação repleta de novidades. Nesta quinta-feira (17), a atriz Dira Paes sobe ao palco do Teatro Carlos Gomes para relembrar a carreira e receber a homenagem do Festival. 
Às 9 e às 14 horas, estudantes da rede pública de ensino e público em geral assistem aos filmes do 17º Festivalzinho de Cinema de Vitória no Cineclube Metrópolis, na Ufes. 

Além de acompanhar as sessões, essa galerinha também interage com a programação do Festivalzinho votando no curta-metragem preferido. O filme mais votado leva o Troféu Vitória - Júri Popular e será re-exibido na mostra do ano que vem.

A partir das 15 horas, no Teatro Carlos Gomes, a Sessão Especial do dia, com o lançamento do filme Espírito São: Histórias de Fé no Norte do Espírito Santo, do diretor capixaba Léo Alves. 

O documentário, rodado em São Mateus-ES, apresenta histórias de fé de três personagens e seus rituais sagrados. São mestres da sabedoria popular que apresentam um caminho onde as ladainhas, as brincadeiras de Reis de Boi e as giras de Umbanda são apenas algumas das formas de viver esta jornada. 

Lançamento de livros e coletiva com Dira Paes

Ainda durante a tarde, também no Hotel Senac Ilha do Boi, às 15 horas, a coletiva de imprensa com a atriz Dira Paes, que será a grande homenageada desta edição do Festival de Cinema de Vitória. Além da entrevista, também será lançado o Caderno da Homenageada, publicação que traz imagens e uma extensa reportagem sobre a carreira da atriz.

Durante o evento, o público também acompanha o lançamento de outras publicações. Um deles é o livro “Marcus Vinícius: A Presença do Mundo em Mim”, organizado por Erly Vieira Jr., que reúne um vasto material fotográfico e teórico que lança luz sobre a carreira do artista capixaba Marcus Vinícius, também conhecido como MV. 

Outro livro que será lançado é a coletânea “Cinema Apesar da Imagem”, com organização de Gabriel Menotti, Marcus Bastos e Patrícia Moran, que reúne diversas abordagens sobre cinema, arte e tecnologia. O livro é fruto do trabalho da rede de pesquisa internacional Besides the Screen, que, desde 2014, organiza conferências sobre o tema na universidade, sempre em diálogo com a produção de cinema experimental.

Homenagem a Dira Paes
Dona de papéis inesquecíveis no cinema, teatro e televisão, a atriz Dira Paes será a grande homenageada do 23º Festival de Cinema de Vitória, a partir das 20h30, no Teatro Carlos Gomes.

Com 47 anos completos no último mês de junho, a paraense Dira Paes conquistou o coração do público brasileiro com interpretações cômicas e dramáticas, emprestando sua beleza mestiça e seu carisma a personagens como a cangaceira Dadá no filme “Corisco e Dadá”, de Rosemberg Cariry, ou a ingênua e engraçada Solineuza, do seriado “A Diarista”.

Graças ao seu talento e versatilidade, já foi dirigida por importantes diretores brasileiros e construiu uma carreira diversificada que se confunde, em uma certa medida, com o chamado cinema de retomada. Dira também é mãe dois filhos e aguerrida militante dos Direitos Humanos. Seu último trabalho na TV foi interpretando a professora Beatriz na novela “Velho Chico”, produção recentemente exibida.

Maratona de filmes continua
Além das sessões especiais, a maratona cinematográfica do 23º Festival de Cinema de Vitória prossegue com exibições durante as tradicionais mostras do Festival. No fim da tarde, acontece a primeira sessão da 5ª Mostra Corsária, às 17h30, no Teatro Carlos Gomes. 

Inspirada no filme Alma Corsária, de Carlos Reichenbach (1945-2012), a Mostra Corsária exibe filmes que buscam evidenciar as influências do diretor na nova geração de cineastas brasileiros. Os 13 curtas-metragens em competição serão avaliados por um júri composto por três profissionais da cadeia produtiva audiovisual brasileira. No final, o júri premiará dois filmes, sem ordem de classificação, com o Troféu Vitória.

Mais tarde, às 19h, acontece a segunda exibição da 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas. Cinco filmes participam desta noite: “Impeachment”, de Diego de Jesus; “Acho Bonito Quem Veste”, de Marcelo Coutinho; “Índios no Poder”, de Rodrigo Arajeju; “Confidente”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes; “Kbela”, de Yasmin Thayná e “+1 Brasileiro”, de Gustavo Moraes.

"Aspirina para dor de cabeça"

Na 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, a sessão começa às 21h, com o documentário “Perdido em Júpiter”, do diretor baiano Deo. O filme, selecionado em 2016 Para o MIMO Festival e para as mostras competitivas do 15 Recine e XII Panorama Internacional Coisa de Cinema, é sobre resíduos digitais da obra do músico gaúcho Flavio Basso - Júpiter Maçã ou Jupiter Apple ou Woody Apple. Enquanto Flávio se transmutava, em suas diversas facetas estéticas e musicais, as câmeras o acompanhavam insistentemente.

23º Festival de Cinema de Vitória
Realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória vai até 19 de novembro, em Vitória (ES). Maior evento de cinema do Espírito Santo, o Festival conta com uma extensa programação de exibições, lançamentos, oficinas, debates, homenagens e premiações. Todas as atividades são abertas ao público.

SERVIÇO
23º Festival de Cinema de Vitória
Data: de 14 a 19 de novembro

Locais:
- Teatro Carlos Gomes – Centro - Vitória
- Cine Metrópolis – Ufes – Vitória
- Hotel Senac Ilha do Boi - Vitória
ENTRADA FRANCA!
www.festivaldevitoria.com.br

23º FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA
PROGRAMAÇÃO
QUINTA-FEIRA (17/11)

9h - Oficina de Cinema e Vídeo - Ufes

9h - Oficina de Crítica Cinematográfica - Ufes

9h - 17º Festivalzinho de Cinema de Vitória - Cine Metrópolis/Ufes
Insustentarte (Animação, 3’, GO), de Thiago Ottoni. O que é mais absurdo: despejar toneladas de lixo no córrego da cidade ou um castor artista virar celebridade?

O Projeto do Meu Pai (Animação, 6’, ES), de Rosaria. Eu tenho um amigo que diz que a gente precisa desenhar uma mesma coisa mil vezes, até ela ficar do jeito que a gente acha que é.

O Menino e a Caixa Misteriosa (Ficção, 10’, RN), de Leonardo Maximiano e Andrieli Torres. Luiz certamente passaria a vida inteira brincando na terra quente com seus amigos se não fosse pela chegada de uma caixa misteriosa. A caixa atrai a atenção de todos e agora a vizinhança está em apuros.

Travesseiros (Animação, 4’, PR), de Almir Correia. Em uma noite de tempestade, um menino vê seus pais sonâmbulos subindo aos céus através de uma escada feita de travesseiros. Ele os segue e descobre um mundo acima das nuvens.

A Orelha de Van Gogh (Animação, 10’, MG), de Thiago Franco. Adaptado do conto literário homônimo de Moacyr Scliar, retirado do livro A orelha de Van Gogh: contos, publicado em 1989, pela Cia das Letras. O filme conta a história de um proprietário de um armazém e seu filho, que acompanha de perto os planos mirabolantes inventados pelo pai para conseguir o perdão de uma grande dívida, cujo credor é admirador incondicional do pintor Van Gogh.

Hora do Lanchêêê (Ficção, 15’, RJ), de Claudia Mattos. Se não fosse pelo almoço gratuito na escola pública, os irmãos Joalisson, Joedson e Jowilson iriam ficar de barriga vazia o dia inteiro. A mãe dos meninos, que é solteira e está desempregada, tem dificuldade até mesmo para colocar comida em casa, mas não quer que os vizinhos saibam de seus problemas financeiros. Por isso, toda tarde, ela obriga as crianças a ir para a janela da frente e fingir que estão mastigando. A vizinhança toda acredita. Até quando essa farsa vai se sustentar?

A Menina e Fada de Luz, Suelen Encontra uma Amiga (Animação, 7’, RJ), Alan Nóbrega. Suelen Maria, uma menina de 7 anos, órfã e que vive nas ruas, conhece a Fada da Luz quando é perseguida por um grupo de meninos malvados, despertando na Suelen os sentimentos de amizade, de solidariedade e de superação.

Fantasmo (Ficção, 13’, SP), de Mateus Loner. Às vezes, quando a gente é criança, acordamos e tem um fantasma no nosso quarto. Isso aconteceu com o pequeno Joaquim. O pai de Joaquim lida com o medo do filho de forma diferente da grande maioria, pois ele sabe que não adianta ignorar ou brigar com alguém só porque a gente ainda não o conheceu.

H2Obby (Animação, 4’, SP), de Flávia Trevisan. H2Obby traz a história de Hobby, um cachorrinho muito curioso que desenvolve uma amizade com um cubo de gelo. Porém, com o evoluir da história, contratempos ameaçam quebrar esse recém-criado laço. Será que Hobby conseguirá mantê-lo?

A Culpa é do Neymar (Ficção, 10’, RJ), de João Ademir / Exibição fora de competição, Melhor Filme - Júri Popular do 16º Festivalzinho de Cinema de Vitória. O curta, que se passa no ano de 2011, apresenta a história de Jair, um botafoguense fanático que entra em delírio ao descobrir que Túlio, seu único filho, influenciado pela Neymarmania, passou a torcer pelo Santos. Nesse contexto, Sandra, sua esposa, buscará todas as alternativas para trazer o marido à razão e restaurar a paz familiar.

14h - 17º Festivalzinho de Cinema - Cine Metrópolis/Ufes

14h - Oficinas Integradas de Cinema: Roteiro, Direção, Trilha e Finalização - 

Ufes
15h - Coletiva com Dira Paes, Homenageada Nacional, e lançamento de publicações - Hotel Senac Ilha do Boi

17h - Sessão Especial - Teatro Carlos Gomes
Espírito São (documentário, 18’, ES) de Léo Alves. Uma viagem sagrada e espiritual no norte do Espírito Santo une três Antônios em uma única fé: fazer o bem. São mestres da sabedoria popular que nos apresentam um caminho onde as ladainhas, as brincadeiras de Reis de Boi e as giras de Umbanda são apenas algumas das formas de viver esta viagem.

17h30 - 5ª Mostra Corsária - Teatro Carlos Gomes
Ainda Me Sobra Eu (Experimental, 15’, PE), de Taciano Valério. Mesmo morrendo, ainda lhe sobra alguma coisa. Também, resta perguntar: de que lado você está?


XXTape (Experimental, 13’, ES), de Anderson Bardot. Hashtags, tags, hiperlinks, fetiches, (des) preferências, ausências, matizes. Uma proposta audiovisual de desconstrução da fita, do som e da imagem virtual pornográfica.

Abigail (Documentário, 17’, RJ/PE), de Isabel Penoni e Valentina Homem. Abigail Lopes, que viveu mais de 30 anos com o sertanista Francisco Meireles, une os pontos de um mapa humano que conecta indigenismo e candomblé. O avesso do inverso, uma casa aberta de memórias quase extintas.

Ordenha (Ficção, 12’, RJ), de Diana Iliescu. Jovem garota prefere se alimentar de produtos cosméticos ao invés de viver uma ardente paixão.

Uma Noite e Meia (Ficção, 13’, RJ), de Susana Costa Amaral. Só porque vagamos sozinhos não significa que estamos chegando a algum lugar.

O Rosto da Mulher Endividada (Documentário, 27’, SP), de Renato Sircilli e Rodrigo Batista. Os rostos de dez mulheres, mães dos criadores do [pH2]: estado de teatro, ampliam o rosto de Helena Fracasso e ensaiam as desgraças que acometeram sua vida.

19h - 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas - Teatro Carlos Gomes
Impeachment (Documentário, 15’, ES), de Diego de Jesus. Brasília, 1999. Um pedido de Impedimento foi protocolado pela oposição. Ela acusa o Presidente Fernando Henrique Cardoso de ter cometido crime de responsabilidade. Deputados leais ao governo afinam seus argumentos, enquanto a oposição promete não ceder. Há ainda os deputados neutros, que pretendem não se comprometer muito.

Acho Bonito Quem Veste (Documentário, 9’, PB), de Marcelo Coutinho. A moda encontra os limites geográficos e a interferência da TV para atingir seu público.
Índios no Poder (Documentário, 21’, DF), de Rodrigo Arajeju. Mario Juruna, primeiro índio parlamentar na história do país, não consegue se reeleger para a Constituinte (1987/88). Sem representante no Congresso desde a redemocratização, as Nações Indígenas sofrem golpes da Bancada Ruralista aos seus direitos constitucionais. O cacique Ládio Veron, filho de liderança Kaiowa Guarani executada na luta pela terra, lança candidatura a deputado federal nas Eleições 2014, sob ameaças. Contra a PEC 215, seu slogan de campanha é "Terra, Vida, Justiça e Demarcação".

Confidente (Experimental, 12’, RJ), de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes. Este sou eu.

Kbela (Ficção, 21’, RJ), de Yasmin Thayná. Um olhar sensível sobre a experiência do racismo vivido cotidianamente por mulheres negras. A descoberta de uma força ancestral que emerge de seus cabelos crespos transcendendo o embranquecimento. Um exercício subjetivo de autorrepresentação e empoderamento.

+1 Brasileiro (Ficção, 16’, ES), de Gustavo Moraes. Música e drama se encontram quando Torquato, um taxista viúvo, enfrenta toda a sorte de brutalidade nas ruas para criar sua filha a duras penas, expressando suas frustrações e sua perseverança através de canções.

20h30m - Homenagem a Dira Paes - Teatro Carlos Gomes

21h - 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas - Teatro Carlos Gomes
Perdido em Júpiter (Documentário, 74′, BA), de Deo. Um documentário sobre resíduos digitais da obra do músico gaúcho Flavio Basso - Júpiter Maçã ou Jupiter Apple ou Woody Apple. Enquanto Flávio se transmutava, em suas diversas facetas estéticas e musicais, as câmeras (oficiais, pessoais e de desconhecidos) o acompanhavam insistentemente. Essas imagens, sons e cores da sua carreira estão despejadas aleatoriamente na internet. É possível traçar uma trajetória artística apenas com arquivos disponíveis publicamente por terceiros? Perdido em Júpiter.

Com Danielle Ewald

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