23º Festival de Cinema de Vitória: no terceiro dia homenagens aos 100 anos do cinema brasileiro de animação e Otto Guerra e 3ª Mostra Outros Olhares

16 de novembro de 2016

"As cebolas são azuis"



Por Danielle Ewald



O terceiro dia do 23º Festival de Vitória, nesta quarta, dia 16, está com a programação recheada de filmes e homenagens. 

Logo pela manhã, às 9 horas, no Cine Metrópolis, na Ufes, a primeira sessão do 17° Festivalzinho de Cinema de Vitória, que vai levar ao público jovem uma seleção com 10 filmes nacionais com temática infanto-juvenil. A sessão também terá reprise às 14 horas.

No Teatro Carlos Gomes, às 15h, a 3ª Mostra Outros Olhares. Em sua terceira edição, a mostra apresenta um panorama da produção cinematográfica brasileira, entre ficções e documentários de cineastas veteranos e estreantes de diversas regiões brasileiras. Em sessão única, essa mostra exibirá cinco filmes que equilibram múltiplas raízes estéticas e culturais no processo de construção do cinema.

Às 17 horas, no tela de cinema no Teatro Carlos Gomes se transformará numa máquina do tempo, convidando o público a fazer uma viagem no mundo dos desenhos animados, através da Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação. Serão exibidos dez filmes nacionais, amplamente premiados em festivais e que marcaram a história da animação no Brasil.

Ao longo do dia, na Ufes, também acontecem a Oficina de Crítica Cinematográfica, a Oficina de Cinema e Vídeo e as Oficinas Integradas (Roteiro, Direção, Trilha Sonora e Finalização Digital).

Homenagem a Otto Guerra


Por sua representatividade no cinema de animação no Brasil, o diretor gaúcho Otto Guerra será o cineasta homenageado pelo 23º Festival de Cinema de Vitória. A homenagem acontece nessa terceira noite do Festival, às 19 horas, no Teatro Carlos Gomes.

Um dos cinco brasileiros citados no livro que é a ‘bíblia’ da animação mundial - Animation Now, da editora alemã Tashen, o cineasta gaúcho Otto Guerra completou 60 anos em 2016. O patamar que a animação brasileira atingiu no cenário mundial nos últimos anos mistura-se com a trajetória de quase 40 anos da empresa Otto Desenhos Animados, produtora criada pelo diretor.
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- “Até que a Sbórnia nos Separe”, terceiro e último longa-metragem de Otto, é resultado de uma lenta evolução na produção de conteúdos e também na técnica da animação.

Mostra competitiva de longas e curtas-metragens
Seguindo a programação, acontecem também, na terceira noite do Festival de Cinema de Vitória, a segunda sessão da 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas, às 19h30, e a terceira exibição da 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas, às 21h30, ambas no Teatro Carlos Gomes.

Durante o segundo dia da competitiva de curtas, serão exibidos os filmes: “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares; “Antes da Encanteria”, de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Lívia de Paiva, Jorge Polo e Paulo Victor Soares; “Som Guia”, de Felipe Rocha; “Córrego Grande, 13”, de Carol Covre; “À Parte do Inferno”, de Raul Arthuso e “Retrato de Carmem D.”, de Isabel Joffily.

Na competitiva de longas, será exibido documentário A Noite Escura da Alma, de Henrique Dantas. O filme aborda o período da ditadura civil e militar ocorrida no estado da Bahia e usa da linguagem do documentário e da performance na construção da história. É um filme escuro, onde a grande maioria das entrevistas foi realizada em noturnas no Forte do Barbalho, maior centro de tortura do estado. Nomes como Juca Ferreira, Lúcia Murat, Emiliano José, Theodomiro dos Santos, Renato da Silveira, entre outros, ajudam a contar esta história.

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival de Cinema de Vitória acontecerá de 14 a 19 de novembro, em Vitória (ES).

23º FESTIVAL DE CINEMA DE VITÓRIA
QUARTA-FEIRA (16)

9h Oficina de Cinema e Vídeo - Ufes

9h Oficina de Crítica Cinematográfica - Ufes

9h 17º Festivalzinho de Cinema de Vitória - Cine Metrópolis/Ufes
Insustentarte (Animação, 3’, GO), de Thiago Ottoni. O que é mais absurdo: despejar toneladas de lixo no córrego da cidade ou um castor artista virar celebridade?

O Projeto do Meu Pai (Animação, 6’, ES), de Rosaria. Eu tenho um amigo que diz que a gente precisa desenhar uma mesma coisa mil vezes, até ela ficar do jeito que a gente acha que é.

O Menino e a Caixa Misteriosa (Ficção, 10’, RN), de Leonardo Maximiano e Andrieli Torres. Luiz certamente passaria a vida inteira brincando na terra quente com seus amigos se não fosse pela chegada de uma caixa misteriosa. A caixa atrai a atenção de todos e agora a vizinhança está em apuros.

Travesseiros (Animação, 4’, PR), de Almir Correia. Em uma noite de tempestade, um menino vê seus pais sonâmbulos subindo aos céus através de uma escada feita de travesseiros. Ele os segue e descobre um mundo acima das nuvens.

A Orelha de Van Gogh (Animação, 10’, MG), de Thiago Franco. Adaptado do conto literário homônimo de Moacyr Scliar, retirado do livro A orelha de Van Gogh: contos, publicado em 1989, pela Cia das Letras. O filme conta a história de um proprietário de um armazém e seu filho, que acompanha de perto os planos mirabolantes inventados pelo pai para conseguir o perdão de uma grande dívida, cujo credor é admirador incondicional do pintor Van Gogh.


"Cordilheira"


Hora do Lanchêêê (Ficção, 15’, RJ), de Claudia Mattos. Se não fosse pelo almoço gratuito na escola pública, os irmãos Joalisson, Joedson e Jowilson iriam ficar de barriga vazia o dia inteiro. A mãe dos meninos, que é solteira e está desempregada, tem dificuldade até mesmo para colocar comida em casa, mas não quer que os vizinhos saibam de seus problemas financeiros. Por isso, toda tarde, ela obriga as crianças a ir para a janela da frente e fingir que estão mastigando. A vizinhança toda acredita. Até quando essa farsa vai se sustentar?

A Menina e Fada de Luz, Suelen Encontra uma Amiga (Animação, 7’, RJ), Alan Nóbrega. Suelen Maria, uma menina de 7 anos, órfã e que vive nas ruas, conhece a Fada da Luz quando é perseguida por um grupo de meninos malvados, despertando na Suelen os sentimentos de amizade, de solidariedade e de superação.

Fantasmo (Ficção, 13’, SP), de Mateus Loner. Às vezes, quando a gente é criança, acordamos e tem um fantasma no nosso quarto. Isso aconteceu com o pequeno Joaquim. O pai de Joaquim lida com o medo do filho de forma diferente da grande maioria, pois ele sabe que não adianta ignorar ou brigar com alguém só porque a gente ainda não o conheceu.

H2Obby (Animação, 4’, SP), de Flávia Trevisan. H2Obby traz a história de Hobby, um cachorrinho muito curioso que desenvolve uma amizade com um cubo de gelo. Porém, com o evoluir da história, contratempos ameaçam quebrar esse recém-criado laço. Será que Hobby conseguirá mantê-lo?

A Culpa é do Neymar (Ficção, 10’, RJ), de João Ademir / Exibição fora de competição, Melhor Filme - Júri Popular do 16º Festivalzinho de Cinema de Vitória. O curta, que se passa no ano de 2011, apresenta a história de Jair, um botafoguense fanático que entra em delírio ao descobrir que Túlio, seu único filho, influenciado pela Neymarmania, passou a torcer pelo Santos. Nesse contexto, Sandra, sua esposa, buscará todas as alternativas para trazer o marido à razão e restaurar a paz familiar.

14h Oficinas Integradas de Cinema: Roteiro, Direção, Trilha e Finalização - Ufes

14h 17º Festivalzinho de Cinema de Vitória - Cine Metrópolis/Ufes

15h 3ª Mostra Outros Olhares - Teatro Carlos Gomes
“Sesmaria” (Ficção, 23’, RS), de Gabriela Richter Lamas. Durante 50 anos como fumicultores em Sesmaria, Wilhelm e Hilda não deixaram de colher nenhuma safra. Neste ano, Wilhelm não plantará. O que mais, além da vida, se leva com a morte?


“Os Cuidados Que Se Tem com o Cuidado que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos” (Ficção, 20’, SP), de Gustavo Vinagre. Tan precisa chorar.

“Auto Copa Park” (Ficção, 24’, RJ), de João Atala . Durante a noite, em algum lugar em Copacabana, em meio a todos os prédios e a todas as pessoas, algo de sobrenatural acontece com Marcos.

“Cordilheira de Amora II” (Documentário, 12’, MS), de Jamille Fortunato. Uma índia Guarani Kaiowá, Cariane Martines, de 9 anos, transforma seu quintal num experimento do mundo. Ela cria histórias e personagens que alargam sua solidão em brincadeiras, sonhos e projetos. É um documentário espontâneo, filmado com celular na Aldeia Amambai, no Mato Grosso do Sul, fronteira do Brasil com o Paraguai.

“Os Cuidados Que Se Tem com o Cuidado que os Outros Devem Ter Consigo Mesmos” (Ficção, 20’, SP), de Gustavo Vinagre. Tan precisa chorar.

“Na Missão, com Kadu” (Documentário, 28’, PE/MG), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito. O encontro, a conversa, a lembrança, a tragédia, à direita.

17h Mostra Petrobras 100 Anos do Cinema Brasileiro de Animação - Teatro Carlos Gomes

Treiler - A Última Tentativa (Animação, 5’, RS, 1986), de José Maia, Otto Guerra e Lancast Mota. Treiler de uma suposta superprodução de animação gaúcha, que, obviamente, jamais será produzida.

Novela (Animação, 8’, RS, 1992), de Otto Guerra. O que acontece entre os intervalos comerciais no horário nobre de nossas emissoras de televisão? Quantas histórias são contadas e repetidas ano após ano? "Novela" e um segmento deste horário sagrado em que o país inteiro espera as cenas dos próximos capítulos.

Cebolas São Azuis (Animação, 12’, RJ, 1996), de Marão. Aldeia cujos habitantes exercem atividades manuais é invadida por um mago, que sequestra todas as moças virgens e as transforma em cebolas azuis. Este, porém, é um mago tecnológico, que usa um controle remoto no lugar da varinha e não faz suas poções em um caldeirão, mas em um micro-ondas.

Amassa Que Elas Gostam (Animação/Ficção, 14’, SP, 1998), de Fernando Coster. Mulher solitária e casta descobre o amor de forma muito pouco convencional. Ao entrar, por engano, em um cinema pornô, se apaixona pelo protagonista, um atleta sexual feito de massa de modelar. Uma relação atípica que leva a um desfecho dramático e surpreendente.

Espantalho (Animação, 10’, SP, 1998), de Alê Abreu. As lembranças de uma senhora se misturam com as descobertas de uma menina apaixonada por um espantalho.

Deus É Pai (Animação, 4’, RS, 1999), de Allan Sieber. Após milhares de anos de convivência, a relação de Deus com seu amado filho, Jesus, sofreu um inevitável desgaste. Para melhorar a relação, uma terapeuta passará por maus bocados.



Vida Maria (Animação, 9’, CE, 2006), de Márcio Ramos. Maria José, uma menina de 5 anos de idade, é levada a largar os estudos para trabalhar. Enquanto trabalha, ela cresce, casa, tem filhos, envelhece.

Engolervilha (Animação, 8’, RJ, 2003) de Marão. O sórdido, o pútrido e o fétido. O bizarro, o escatológico e o grotesco. Ervilhas, urina e galináceas


Dossiê Rê Bordosa (Animação, 16’, SP, 2008), de Cesar Cabral. Fama? Ego inflado? Espírito de porco? Quais os reais motivos que levaram Angeli a matar Rê Bordosa, sua mais famosa criação? Este documentário em animação stop motion investiga este vil crime.

Deixem Diana em Paz (Animação, 10’, PE, 2013), de Julio Cavani e Igor Bonatto. No auge de sua carreira profissional e acadêmica, Diana não tem tempo para descansar por causa do trabalho e dos estudos. Quando completa 30 anos de idade, ela resolve largar tudo para dedicar a vida apenas ao mar e ao sono.


19h Homenagem a Otto Guerra -Teatro Carlos Gomes

19h30 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas - Teatro Carlos Gomes
Estado Itinerante (Ficção, 25’, MG), de Ana Carolina Soares. Vivi quer escapar de uma relação opressora. Em período de experiência como cobradora de ônibus, ela trabalha desejando não voltar para casa. A semana passa rápido, entre as paradas no ponto final e o itinerário, os encontros com outras cobradoras fortalecem a mulher trabalhadora e seu desejo de fuga. Logo é final de semana e o centro de Belo Horizonte já não parece tão longe do bairro Boa Vista.

Antes da Encanteria (Documentário, 21’, CE), de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Lívia de Paiva, Jorge Polo e Paulo Victor Soares. Um magote de viada truando no meio do mundo. Desde 2013, o coletivo Chá das Cinco realiza atividades culturais diversas em Icó, interior do Ceará.

Som Guia (Ficção, 15’, RJ), de Felipe Rocha. Uma história sobre o encontro. Entre as pessoas, ou entre o som e a imagem, ou entre eu e você. A gente tenta juntar duas coisas na nossa cabeça e fica torcendo praquilo dar certo. Às vezes, alguma coisa acontece. Outras, não. E tudo bem.

Córrego Grande, 13 (Documentário, 13’, ES), de Carol Covre. Na rua Córrego Grande, eu e meus avós conversamos sobre fotografias e um futuro museu.

À Parte do Inferno (Ficção, 23’, SP), de Raul Arthuso. O céu é só um disfarce azul do inferno.

Retrato de Carmem D. (Documentário, 22’, RJ), de Isabel Joffily. Carmem Dametto tem 72 anos e é psiquiatra. Atende os seus pacientes no consultório localizado no térreo de sua ampla casa, onde também vive Marcela, sua filha, que sempre nadou na piscina do jardim. Se, antes, a piscina tinha água azul clara, hoje, ela encontra-se desativada e dominada por musgos.


21h30 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas - Teatro Carlos Gomes
A Noite Escura da Alma (Experimental, 95′, BA), de Henrique Dantas. A Noite Escura da Alma é um filme experimental, que aborda o período da ditadura civil e militar ocorrida no estado da Bahia e usa da linguagem do documentário e da performance na construção da história. É um filme escuro, onde a grande maioria das entrevistas foi realizada em noturnas no Forte do Barbalho, maior centro de tortura do estado. Nomes como Juca Ferreira, Lúcia Murat, Emiliano José, Theodomiro dos Santos, Renato da Silveira, entre outros, nos ajudam a contar esta necessária história.

ENTRADA FRANCA!
Mais informações: www.festivaldevitoria.com.br

LINKS FOTOS
- 17º Festivalzinho de Cinema de Vitória - http://bit.ly/2dt8Zoi
- 3ª Mostra Outros Olhares - http://bit.ly/2dT7J46
- Mostra Petrobras 100 anos do Cinema Brasileiro de Animação: http://bit.ly/2eUx8Z5
- 20ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas-Metragens - http://bit.ly/2eGjgiu
- 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens - http://bit.ly/2dC3nbU

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