23º Festival de Cinema de Vitória: 6ª Mostra Competitiva de Longas-Metragens começa nesta segunda (14) e cinco concorrem ao Troféu Vitória

14 de novembro de 2016
O Festival de Cinema de Vitória chega à sua 23ª edição  e reúne desta segunda, 14, ao dia 19 de novembro, na capital do Espírito Santo, obras e realizadores de destaque no cenário audiovisual nacional. 

Este ano, fizeram parte da curadoria da Mostra Competitiva Nacional de Longas o jornalista e crítico de cinema Rodrigo Fonseca, o diretor e produtor de cinema Juliano Salgado e a diretora e roteirista Ivi Roberg. Para a seleção, os curadores deram ênfase a filmes que expressam um certo sentimento de estranheza e de desapego às convenções de linguagem do cinema mais comercial. 

A 6ª Mostra Competitiva de Longas será de segunda a sexta-feira (14 a 18 de novembro), com sessões a partir das 21h, no Teatro Carlos Gomes, Centro de Vitória-ES. A entrada é gratuita.

Os filmes dessa seleção concorrem ao Troféu Vitória nas categorias de Melhor Filme (Júri Oficial), Prêmio Especial do Júri, Melhor Direção, Melhor Roteiro, Melhor Contribuição Artística, Melhor Interpretação e Melhor Filme (Júri Popular). 
O resultado da premiação será anunciado na noite de encerramento do Festival, no próximo dia 19 de novembro.

Conheça as produções:

Longas-metragens para todos os gostos serão exibidos durante a 6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas. Em “Guerra do Paraguay”, ficção de Luiz Rosemberg Filho, um soldado volta da guerra do Paraguay e encontra um grupo de teatro nos dias de hoje. Nesse épico, o diretor revista o evento histórico que foi responsável pela morte da maior parte da população paraguaia da época e apresenta um embate entre a guerra e a arte. Diretor de vários outros filmes de longa e curtas-metragens, Luiz Rosemberg Filho é considerado um dos mais criativos e ousados cineastas em atividade do Brasil e teve algumas de suas obras censuradas pela Ditadura.

A Ditadura Brasileira também foi responsável por derramar muito sangue. Esse obscuro período da história brasileira, compreendido dos anos 1960 aos 80, foi revisitado em “A Noite Escura da Alma”, de Henrique Dantas. Um filme experimental, que aborda o período da ditadura civil e militar ocorrida no estado da Bahia e usa da linguagem do documentário e da performance. É um filme escuro, com muitas entrevistas realizadas à noite no Forte do Barbalho, maior centro de tortura do estado. Esse longa conta com depoimentos do ex-Ministro da Cultura, Juca Ferreira, da cineasta Lúcia Murat, do ex-Deputado Federal pela Bahia Emiliano José, do Juiz Teodomiro dos Santos - que foi o primeiro condenado à pena de morte no período republicano brasileiro, do antropólogo e professor universitário Renato da Silveira e de outros personagens que revelaram como resistiram à ditadura militar.

Cheio de som e de fúria, “Perdido em Júpiter”, de Deo, é um documentário musical. O filme é sobre resíduos digitais da obra do músico gaúcho Flavio Basso: Júpiter Maçã ou Jupiter Apple ou Woody Apple. Enquanto Flávio se transmutava, em suas diversas facetas estéticas e musicais, as câmeras o acompanhavam insistentemente. Essas imagens, sons e cores da sua carreira estão despejadas aleatoriamente na internet. Apropriando-se dessa polifonia digital, o filme apresenta uma narrativa que usa os resquícios de arquivo do músico para estabelecer um mosaico de imagens sobre identidades performáticas.

Já o filme “Antes o Tempo Não Acabava”, de Sergio Andrade e Fábio Baldo, foi todo gestado em Manaus (AM), tendo como eixo as contradições entre as tradições milenares das selvas e as liberdades sexuais destes tempos de correção política. Nesse drama, um jovem da tribo Tikuna sai de sua aldeia na fronteira brasileira com Colômbia e descobre a vida urbana na capital amazonense. O filme chamou atenção na Mostra Panorama do Festival de Cinema de Berlim deste ano e é o primeiro longa da dupla de diretores.

E lá de Pernambuco, o diretor Pedro Severien traz thriller psicológico “Todas as Cores da Noite”. Ligado aos códigos de conduta da classe média, esse longa-metragem narra a aventura de uma mulher em confronto com as trevas de sua alma após uma madrugada de loucuras encerrada com a descoberta de um cadáver. Uma mostra da diversidade e da potência do cinema pernambucano, o filme destoa da temática político-social comum aos filmes de diretores da região nordeste e expressa o olhar ousado de Pedro Severien.

Serviço
Realização: Galpão Produções e Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA)
23º Festival de Cinema de Vitória, dde 14 e 19 de novembro
6ª Mostra Competitiva Nacional de Longas-Metragens, a partir das 21 horas
Teatro Carlos Gomes - Centro de Vitória (ES)
ENTRADA FRANCA!

Segunda-feira (14/11)

Antes o Tempo Não Acabava (Ficção, 85′, AM), de Sergio Andrade e Fábio Baldo. Anderson é um jovem indígena em conflito com os líderes de sua comunidade, localizada na periferia de Manaus. As tradições mantidas por seu povo parecem anacrônicas em relação à vida contemporânea que ele leva. Em busca de autoafirmação, Anderson abandona a comunidade para viver sozinho no centro da cidade, onde experimenta novos sentimentos e enfrenta outros desafios. No entanto, o Velho Pajé planeja trazê-lo de volta para mais um ritual.

Terça-feira (15/11)

Guerra do Paraguay (Ficção, 75′, RJ), de Luiz Rosemberg Filho. Um soldado volta da guerra do Paraguay e encontra um grupo de teatro nos dias de hoje. Um embate entre a guerra e a arte.
Quarta-feira (16/11)

A Noite Escura da Alma (Documentário, 96′, BA), de Henrique Dantas. A Noite Escura da Alma é um filme experimental que aborda o período da ditadura civil e militar ocorrida no estado da Bahia e usa da linguagem do documentário e da performance na construção da história. É um filme escuro, onde a grande maioria das entrevistas foi realizada em noturnas no Forte do Barbalho, maior centro de tortura do estado. Nomes como Juca Ferreira, Lúcia Murat, Emiliano José, Theodomiro dos Santos, Renato da Silveira, entre outros, nos ajudam a contar esta necessária história.

Quinta-feira (17/11)

Perdido em Júpiter (Documentário, 74′, BA), de Deo. Documentário sobre resíduos digitais da obra do músico gaúcho Flavio Basso - Júpiter Maçã ou Jupiter Apple ou Woody Apple. Enquanto Flávio se transmutava, em suas diversas facetas estéticas e musicais, as câmeras (oficiais, pessoais e de desconhecidos) o acompanhavam insistentemente. Essas imagens, sons e cores da sua carreira estão despejadas aleatoriamente na internet. É possível traçar uma trajetória artística apenas com arquivos disponíveis publicamente por terceiros? Perdido em Júpiter.

Sexta- feira (18/11)

Todas as Cores da Noite (Ficção, 70′, PE), de Pedro Severien . Iris vive sozinha num espaçoso apartamento à beira-mar. O horizonte esverdeado parece distanciá-la da cidade em confortável isolamento. Ao anoitecer, o lugar acolhe conhecidos e desconhecidos num frenético fluxo de festa. Iris é a atração principal. Mas num amanhecer ressacado, ela encontra um corpo na sala de estar.

Por Danielle Ewald

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