23º Festival de Cinema de Vitória homenageia os 40 anos de carreira de Markus Konká

13 de outubro de 2016

Por Danielle Ewald


Quem o conhece bem de perto sabe que ele está sempre pronto para destilar, de forma bem humorada, ironias e críticas sobre a realidade. 

Estamos falando de Markus Konká que, neste ano, comemora quatro décadas de sua carreira no cinema. 

Ator, bailarino, coreógrafo e diretor, ele completou 62 anos no último mês de março e será o homenageado capixaba do 23º Festival de Cinema de Vitória, de 14 a 19 de novembro, em Vitória-ES.

Um dos mais expressivos artistas atuantes nas artes cênicas e no cinema do Espírito Santo, Konká possui um percurso artístico que transita pelo teatro, cinema e dança. 

Na telona, atuou em cerca de 40 filmes, entre curtas e longas-metragens. Foi dirigido por importantes nomes do cinema nacional: Nelson Xavier, Ruy Guerra, Hector Babenco, Hugo Carvana, Arnaldo Jabour, Carlos Diegues e Neville de Almeida. 

No Espírito Santo, atuou em filmes de Amylton de Almeida, Luiza Lubiana, Virgínia Jorge, Sáskia Sá, Luiz Tadeu Teixeira, Edson Ferreira, entre outros.

Ele atuou nos três longas-metragens do diretor Rodrigo Aragão (“O Mangue Negro”, “A Noite do Chupa Cabras” e “Mar Negro) e está no elenco de “Os Incontestáveis”, de Alexandre Serafini - produção que fará sua estreia na noite de encerramento do 23º Festival de Cinema de Vitória. Na ocasião, Konká estará presente para receber o abraço do público e será lançado o Caderno do Homenageado Capixaba - publicação impressa com reportagem e imagens sobre a trajetória do artista.

Sobre sua paixão por atuar no cinema, Konká diz “sou um ator universal, sou ator do mundo, posso ser homem, mulher, posso ser tudo no cinema. Essa é uma grande felicidade em ser ator: poder ser diversos personagens, a possibilidade de ser o que quiser no cinema”.

Markus Konká também trabalha como professor de artes cênicas, é preparador cênico com especialização em expressão corporal e preparador de elenco para cinema. No Espírito Santo, também desenvolveu trabalhos como coreógrafo para escolas de samba. Em 2009, dirigiu “Meninos da Guarani”, documentário que retrata e discute os processos de exclusão social de jovens e adolescentes da Avenida Guarani, localizada em Jacaraípe, município da Serra. Atualmente, está finalizando seu segundo documentário: “Olha o Sambão do Povo Aí, Gente”.

Graças ao seu trânsito pela dança e pelo teatro, desenvolveu uma proposta de interpretação corporal chamada “Pluridimensional”, método em que reúne técnicas da dança clássica, do jazz contemporâneo e da dança afro e que tem sido ministrado por ele em cursos e formações livres.

Konká também foi funcionário do Departamento Estadual de Cultura do Espírito Santo, instituição que deu origem à atual Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo. Na TV, integrou o elenco da novela “A Escrava Isaura” (1977 / TV Globo) e “Dona Beija” (1986 / TV Manchete). Recentemente, interpretou o personagem “Pocu” da série “Dois Irmãos”, minissérie inédita da TV Globo dirigida por Luiz Fernando Carvalho - o mesmo diretor da recente Velho Chico - que deve ir ao ar em 2017.

Entre o Rio de Janeiro e Vitória
Nascido no Rio de Janeiro, também foi na Cidade Maravilhosa que Konká iniciou sua carreira nos palcos, primeiro como dançarino e depois como ator. Ainda na infância, na década de 1960, mudou-se com sua família para o Espírito Santo: seu pai, o paraibano e funcionário da Aeronáutica Sebastião Ribeiro, sua mãe, a capixaba Euvinda Paulino, e seus irmãos Orlando e Rosa Maria. 

Foi no seu familiar que desenvolveu o gosto pelo mundo artístico, em especial, pela poesia e pela música, mas também pelas artes cênicas. Dos três filhos, era considerado o mais peralta, mas também o mais talentoso.

Aos 17 anos, retorna para o Rio de Janeiro para fazer a faculdade de Psicologia, curso que ele abandona tempos depois para dedicar-se às artes. Lá, inicia sua formação em dança com Tatiana Leskova, Dalau Achcar e Aldo Lotufo, cursa a Escola de Teatro Martins Pena e fez a graduação em Interpretação na Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (Fefierj), instituição que deu origem à Unirio. 

Antes disso, o jovem Konká chegou a tentar entrar para o Teatro Municipal do Rio, mas não se adaptou devido à “caretice”, segundo suas palavras, do balé clássico.

Na dança, majoritariamente, participou de trabalhos como solistas e de performances. Em parte, a escolha por essa vertente se deveu à sua aproximação com Hélio Eichbauer - importante cenógrafo brasileiro e um dos fundadores da Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Em 1976, faz sua primeira atuação nos palcos cariocas na peça “Gota D’Água”, texto de Chico Buarque e Paulo Pontes sob a direção de Gianni Rato. Na sequência, participou do espetáculos “A Morta”, texto de Oswald de Andrade sob a direção de Nelson Xavier e Klaus Vianna, e “Vidigal: Memórias de Um Sargento de Milícias”, também dirigido por Gianni Rato, e “Esperando Godot”, dirigido por Luiz Antônio.

Na década de 1990, Konká volta para o Espírito Santo e passa atuar em autos dirigidos por Renato Saldino, César Huapaya e José Luiz Gobby. Nos anos 2000, leva a público o recital poético “Meus Poetas / Minha Ilha” e “Afrodiziam”, ambos concebidos e dirigidos por ele próprio.

A estreia no teatro coincidiu com sua ida para o cinema, pois em 1976 ele atuou em seu primeiro filme: “A Queda”, de Ruy Guerra e Nelson Xavier. Integrou o elenco dos filmes “Os Trapalhões no Planalto dos Macacos” e “Os Trapalhões nas Minas do Rei Salomão”, ambos dirigidos por JB Tanko em 1976 e 1977 respectivamente. 


A partir daí, Konká atuou em longas-metragens de importantes diretores do cinema nacional: “Lucio Flávio, O Passageiro da Agonia” (1977), de Hector Babenco; “Se Segura Malandro” (1978), de Hugo Carvana; “Morto no Exílio” (1979), de Daniel Caetano e Micheline Bondi; “Eu Te Amo” (1981), de Arnaldo Jabour; “Rio Babilônia” (1982), de Nerville de Almeida; “Quilombo dos Palmares” (1984), de Cacá Diegues; e “Lamarca” (1994), de Sérgio Rezende.

No Espírito Santo, além de inúmeros curtas-metragens e da trilogia de longas de Rodrigo Aragão, Konká atuou nos longa-metragens “O Amor Está no Ar” (1997), de Amylton de Almeida; “A Morte da Mulata” (2001), de Marcel Cordeiro; “Punhal” (2014), de Luiza Lubiana; “Entreturnos” (2014), de Edson Ferreira e o ainda inédito “Os Incontestáveis”, de Alexandre Serafini.

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 23º Festival Cinema de Vitória acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, em Vitória, e conta com o patrocínio do Ministério da Cultura através da Lei de Incentivo à Cultura, da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Rede Gazeta. O evento ainda conta com a parceria do Governo Estado do Espírito Santo e com o apoio cultural do Instituto Sincades e do Banco do Estado do Espírito Santo (Banestes).

COMENTAR

COPYRIGHT© 2007-2014 Don Oleari Ponto Com - Todos os direitos reservados - aldeia verbal produções e jornalismo - CNPJ: 15.265.070/0001-49