Matias Brotas lança 4ª edição do Clube do Colecionador na ArtRio Fair

27 de setembro de 2016
A Visita, de Raphael Bianco


Por Danielle Ewald


Com curadoria do crítico 
de arte Agnaldo Farias,
a 4ª edição do clube, comemorativa aos 10 anos da galeria, conta com obras inéditas dos artistas Andrea Brown, José Bechara, José Spaniol, Raphael Bianco

No ano em que completa 10 anos, a Matias Brotas arte contemporânea lança edição comemorativa do Clube do Colecionador de arte, que está em sua 4ª edição. O lançamento será a nível nacional, no estande da galeria dentro da ArtRio Fair, no próximo dia 28 de setembro.

Esta edição tem curadoria do crítico de arte Agnaldo Farias, que convidou quatro importantes artistas pelo caráter experimental e diversidades de suas pesquisas: Andrea Brown, José Bechara, José Spaniol e Raphael Bianco, que produziram quinze múltiplos inéditos.

José Bechara e José Spaniol possuem uma trajetória sólida, firmada ao longo dos anos 1990, com exposições individuais e coletivas em âmbito nacional e internacional, com obras em importantes coleções, públicas e privadas. Andrea Brown e Raphael Bianco, por sua vez, despontaram em anos recentes mas já ultrapassaram o ponto em que eram identificados como promessas passando a serem acompanhados com atenção crescente.

O artista Raphael Bianco criou 15 desenhos diferentes de aves em lápis de cor sobre papel, integrantes de uma série a qual chamou de "a visita". Essa série resulta de uma pesquisa sobre uma lembrança específica de um pequeno evento que ele não presenciou.

- “Um relato de meus pais, do qual inclusive nem se lembram mais, que eu tanto gostaria de ter presenciado: quatro periquitos-rei selvagens pousaram no parapeito da varanda em frente à janela de meu quarto. Ao mergulhar nesse processo de "ver o que não vi", para mim, um desses ilustres visitantes poderia sim ter pousado no pequeno varal da varanda, e se divertido um bocado antes de partir. Para mim. Para meu deleite. Essa é, agora, a minha memória do que ocorreu naquele dia”, explica o artista.

Uma escultura de ferro e cimento chamada de ‘Geometria e o espaço’ é a criação exclusiva da artista Andrea Brown para o clube. Construída com tubos recortados e superpostos, o ferro é o elemento estrutural e o cimento, massa maleável, o rígido e o pesado.

- “Me instiga a experiência com esses materiais, são elementos ordinários da arquitetura que suspensos sugerem perspectivas, espaços e sombras. Proponho um olhar, onde construir é o fragmento da operação”, conta Andrea.

Nas palavras do curador Agnaldo Farias, Andrea Brown retomou a respeitável linhagem da abstração geométrica que, entre nós, levou o nome de Concretismo a partir dos anos 1950, prolongou-se pelo Neoconcretismo nas passagem da década seguinte, para estender-se até o presente.

A particularidade de sua leitura resume no modo como embaralha os termos, apresentando-nos uma peça que, podendo ser definida como relevo de parede, tem também as características de um desenho, o que é garantido pela trama de metal grosso, com seção quadrada, toda ela pintada de preto; de pintura, patente nos blocos planos branco acinzentados; e arquitetura, seja pelo emprego do concreto, como também pelo fato da volumetria de cada um deles sugerir uma maquete, um diagrama construtivo.

Falando sobre a obra de do carioca José Bechara, Agnaldo Farias conta que ele trouxe um trabalho diferenciado, um desvio dos seus procedimentos habituais. O artista toma lonas de caminhão, algumas delas usadas, carregadas de vestígios de ações anteriores, e deita sobre elas, isolada ou combinadamente, mantas de palha de aço, emulsão de cobre, aço, carbono, entre outros materiais.

Feito isso, ele as molha provocando a oxidação do material e, simultaneamente, a corrosão e coloração dos tecidos. Dessa vez, utilizando um papel Canson denso, o artista irá carimbar listras horizontais de emulsão ferrosa.

- “Não se pode controlar o processo de oxidação, de tal modo que se pode prever que embora resultantes do mesmo processo, cada obra será diferente da outra. Cada qual celebrará a seu modo a relação íntima e invisível da estrutura íntima do metal com a água e a temperatura”, explica Agnaldo.


Fechando o quarteto artístico desta edição está o gaúcho radicado em São Paulo, José Spaniol, que trouxe uma fotografia que é o registro de um desenho elaborado sobre uma placa plana de ardósia, com as bordas semelhantes a moldura de uma pintura.

Segundo o curador Agnaldo Farias, o artista sabe bem que nossas ações variam consoante o material sobre o qual elas incidem, e que o material demanda instrumentos e técnicas com os quais ele tem maior afinidade. Ardósia remete às lousas das salas de aula de nossos avós, não por acaso chamadas de “pedra”.

Sobre ela, predominantemente, o giz branco, embora outras cores estivessem disponíveis e também oferecessem um lindo contraste com o preto da pedra. O artista sacou o giz branco, um giz de cera azul e um outro avermelhado, cuidando em não encerar a ardósia, para que ela acusasse todos os seus movimentos, desenhos, rabiscos, textos, raciocínios. Para que ela, impregnada, não permitisse que tudo aquilo que aflorou na sua superfície, fosse apagado. Enfim, para que ela incorporasse mais nitidamente o tempo.

O resultado são esboços de uma ou mais instalações das que vem chamando a atenção do público que o acompanha; instalações nas quais os objetos mais familiares, camas, mesas e cadeiras, como que flutuam, ficam de cabeça prá baixo, subvertem a lógica convencional em troca de uma lógica próxima a dos sonhos.

Uma década dedicada à difusão da arte contemporânea, a defender e a levar ao público capixaba uma parcela significativa da sensibilidade e da expressão mais ousada da produção artística atual. Esse é o papel da Matias Brotas arte contemporânea.

Dentro dessa linha de atuação, o Clube do Colecionador é um programa destinado a oferecer ao público, a cada edição, um conjunto reduzido mas de alta qualidade de obras múltiplas, isto é, obras com tiragens, de alguns dos artistas mais relevantes do nosso panorama, seja ele emergente ou responsável por uma trajetória consolidada.

O Clube do Colecionador da Matias Brotas teve seu início em 2013, com o objetivo principal de formar novos colecionadores e aproximar o público da arte contemporânea. Desde sua criação, já passaram pelo Clube 100 colecionadores que obtiveram obras de Manfredo de Souzanetto, Shirley Paes Leme, Suzana Queiroga e Vanderlei Lopes, para citar alguns.

O Clube disponibiliza aos seus membros uma extensa programação como visita a ateliês de artistas, feiras de arte e convites para vernissages, além do cartão fidelidade que oferece descontos em estabelecimentos parceiros. Para facilitar o acesso às cotas do Clube, as obras estão disponíveis para aquisição pelo cartão de crédito no site matiasbrotas.com.br/clubecolecionador.

4a. edição Clube do Colecionador Matias Brotas arte contemporânea
Lançamento na ArtRio Fair – STAND V3 -, Píer Mauá.
Dia 28 de setembro – 17h
Armazém 4, Praça Mauá, Rio de Janeiro.
Artistas: Andrea Brown, José Bechara, José Spaniol e Raphael Bianco
Ficha técnica das obras:
Obra Andrea Brown:
Título: geometria
Técnica: ferro e cimento
Medida: 38 X 37 X 6 cm
Ano: 2016

Obra Raphael Bianco:
Título: Sem Título
Técnica: Lápis de cor e grafite 0.5 sobre papel com fibra de algodão
Medida: 21cm de comprimento x 29,7cm de altura cada
Ano: 2016

Obra José Spaniol:
Título: Lousa
Técnica: fotografia
Medida: 45x30 cm
Ano: 2016

Obra José Bechara
Título: Mininova
Técnica: oxidação de emulsão ferrosa sobre papel (papel Fabriano 300g, 100% algodão)
Medida: 30 x 35,5cm
Ano: 2016

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