Maria Lucia Dahl: Crônica – Dias tristes e difíceis

10 de agosto de 2016


Esses dias que se passaram foram bastante sofridos. Acordei num deles com um telefonema de uma amiga dizendo que nossa companheira “Frenética”, Lidoka tinha morrido. Coisa mais inesperada era impossível. 

A última vez que vi Lidoka, há algum tempo, ela me pareceu ótima e ficamos lembrando os tempos do “Dancin´Days” onde tudo de bom se passava por lá. 

Não dá pra conciliar um lugar tão alegre com a morte de uma de suas representantes. Lidoka, pra mim, assim como todas as “Frenéticas” faziam parte de uma vida feliz e eterna, e jamais de uma tristeza profunda conciliada àquela época de felicidade e alegria, com as meninas exalando todo tipo de entusiasmo e passando ao público do fundo de suas almas engraçadas e delicadas, cada uma transmitindo entusiasmo absoluto de dentro de suas personalidades diversas.

Jamais vi alguém de tromba ou discutindo alguma coisa numa daquelas mesas. O Dancin´Days era uma terapia que te levava de escada rolante até a felicidade mais completa que se poderia desejar nos anos 70, cheios de juventude que se espalhava pela ´platéia através de uma equipe de cantoras e dançarinas absolutamente entregues a todo tipo de alegria e humor que se espalhavam frenéticamente pelo local. 

Alegria daquele jeito só encontrei nem nos Carnavais da minha infância, em Quitandinha, por exemplo, protegida pelos enormes muros de listas verde e brancas, um cenário perfeito que também tirava a alegria de nossos inocentes corações espalhando-a através de músicas, danças, fantasias com cheiro de lança-perfume no ar.Assim também foi, muito mais tarde,o espírito transmitido pelos shows do Dancin´Days. Como poderia se ligar à tristeza, décadas depois com a morte de uma de suas mais queridas protagonistas?

Então, quando volto a vida normal que segue em frente, e já estou me adaptando a ela, recebo a notícia da morte de Ricardo Faria, um ator jovem que trabalhou comigo no filme Giselle e que depois de anos me mandava e-mails quase todo dia com fotos da época. Sinceramente, não me lembrava de Ricardo, como pessoa física, mas a internet nos traz um tipo de sonho que nos faz nos habituar a eles e ver todo dia o que ela nos reserva pra nós.

Acho que devo ter me comunicado com Ricardo uns dois dias antes de sua morte, quando ele ainda só transmitia coisas boas, através de um outro tipo de relacionamento com a ajuda da tecnologia, de forma diferente de se unir às pessoas sem as suas presenças humanas mas com seus corações e mentes.
Queria dizer que Ricardo foi uma pessoa que me permitiu lidar com ele , frequentemente , de uma forma moderna de estarmos juntos depois de anos do filme que nos apresentou, cheio de alegria e recordações.

Então , arrasada com essas duas notícias fui andar à pé pela Lagoa pra me sentir abrigada não por amigos nem pelos muros de Quitandinha, mas de uma outra forma de me incluir num outro cenário que me absorvesse com sua forma parecida de me abrigar nos seus braços e entrar no meu coração.






Marial Lúcia Dahl é cronista, atriz, escritora

Fonte
http://www.shoow.com.br/ator/maria-lucia-dahi

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