Poesia todo dia - Andra Valladares: A fêmea que me habita

12 de março de 2016


Talvez possa vir como a brisa...
Ou, quem sabe, um furacão?
Num dia, desabrochar flor,
Noutro, bala de canhão.

Com garras e dentes de onça,
disfarçada de gatinha.
Empodero-me mulherão,
e às vezes, basta a mulherzinha.

Se a Grande Mãe me habita
com útero e seios de luz.
Sua sombra insana transmuta-me
em devoradora, à contraluz.

Tão inconstante e sensível,
rimando até amor com dor.
Sou mulher, mistério indizível.
Um ser místico, mítico, incrível,
de inestimável valor.





A ilustração foi sugerida pela autora.


Andra Valladares
8/3/2016

Nota dos homi da redação: 

Desde os primórdios de todos nós, achamos que todo dia é dia das muié, dus homi, dos mininu, dos bicho, do ser humano, de todo bichim e bichinha de zoreia, enfim. Como achamos que dá frozinha pras muié numtem nada demais - elas gostam e se derretem todas - mas que esse tal 8 de março é uma data de briga, de porrada, de discutir as desigualdades que a própria humanidade, seus feudos, seus capitais e seus pensadores foram criando. 

Por último queremos dizer que somos masculinos, gays, pluralistas, feministas iuiscambau a quatro. Que se phodam os machistas, os jihadistas radicais tupiniquins, os chaítas (mistureba de chato com xiíta), e os ditadoreszinhos de plantão. Noisvamu botá a boca no mundo, aqui e na Rádio Clube da Boa Música - Rádio CBM - que se acessa aí no radião antigo e belo, ao alto à direita do seu monitor (pela tchiurma, assinado: Oswaldo Oleari ou Oleare, para as íntimas). 

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