Pianista Alexandre Dias dá recital sobre Ernesto Nazareth revisitado por autores contemporâneos

14 de março de 2016
Recital será no Instituto Moreira Salles


Alexandre Dias (foto) convida para o recital "Ernesto Nazareth 150 + 3: Contemporâneo", cujo repertório será composto inteiramente de músicas novas, criadas entre 2013 e 2016, feitas sob encomenda por nove compositores brasileiros e um norte-americano. 

O jovem pianista revela que "os pedidos de encomenda foram acompanhados de dois pré-requisitos: que fossem para piano solo, e que fossem dedicadas a Ernesto Nazareth". 

- "O resultado - diz Alexandre - foi um caleidoscópio representativo das diferentes estéticas contemporâneas, trazendo uma contribuição única ao repertório pianístico brasileiro e universal, e que acaba por evidenciar ecos profundos e inéditos entre a música de Ernesto Nazareth, nascido em meados do século XIX, e compositores atuais, nascidos nas décadas de 1920, 1930, 1940, 1950, 1960, 1970 e 1980".

Programa e autores

Marlos Nobre - Nazarethiana nº 2 (1ª audição)
Jorge Antuness - Tanguinho do Alexandre
Edino Krieger - Passacalha para Nazareth
Edmundo Villani Cortes - Choro dengoso (1ª audição)
Ricardo Tacuchian - Ernesto Nazareth no Cinema Odeon
David Thomas Roberts - Remembrance
Ronaldo Miranda - Aeroflux (revisitando Nazareth) (1ª audição)
Tim Rescala - Os devaneios de um entediado Ernesto Nazareth ao tocar num despovoado Cinema Odeon (1ª audição)
Fabiano Borges - Estudo nazarethiano nº 5 (transcrição de Alexandre Dias para piano solo) (1ª audição)
André Mehmari - Passeando com Nazareth

Notas sobre o programa


Marlos Nobre (1939, Recife/PE): Nazarethiana nº 2 (2016) 1ª audição
Marlos Nobre integra a cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Música, e desde o princípio Nazareth esteve presente em sua obra. Segundo o próprio autor: “Minha ‘primeira’ Nazarethiana foi escrita em 1959. Agora, 57 anos depois, escrevo esta Nazarethiana nº 2, a pedido do Alexandre Dias. Sinto que meu amor por Ernesto Nazareth continua intacto através dos anos. Esta nova Nazarethiana foi escrita em um só impulso, como uma breve ‘toccata’ onde as vozes se entrelaçam, completam-se e criam diferentes climas, intercalando doçura, brejeirice e dramatismo, sempre reverberando a imagem sonora de Ernesto Nazareth, para mim um dos grandes gênios musicais que o Brasil produziu”.

Jorge Antunes (1942, Rio de Janeiro): Tanguinho do Alexandre (2014)
Jorge Antunes é um dos precursores da música eletroacústica no Brasil, autor de uma vasta obra altamente inventiva, que inclui 11 peças para piano solo. É professor aposentado da Universidade de Brasília, e integra a cadeira nº 22 da Academia Brasileira de Música. O Tanguinho do Alexandre faz parte de uma série de peças para piano em que o compositor homenageia diversos pianistas, utilizando recursos experimentalistas como a inserção de pregadores em determinadas cordas, e batidas sobre a madeira do piano. A peça faz uso de melodias altamente imprevisíveis, entremeadas por transfigurações de temas de Nazareth.


Edino Krieger (1928, Brusque/SC): Passacalha para Nazareth (2014)
Edino Krieger é um dos compositores mais importantes da atualidade, tendo recebido seus primeiros prêmios na década de 1940. É membro da Academia Brasileira de Música (cadeira nº 34), instituição que presidiu. De suas mais de 100 composições, 16 são para piano, e incluem duas sonatas e uma sonatina, um prelúdio e fuga, e 7 estudos intervalares. A Passacalha para Nazareth constitui uma homenagem dotada de grande lirismo, baseada nos seis compassos iniciais da valsa Confidências, como acompanhamento recorrente.

Edmundo Villani Cortes (1930, Juiz de Fora/MG): Choro dengoso (2014) 1ª audição. 
Pianista, arranjador, e compositor, que sempre permeou com facilidade as esferas erudita e popular, Villani-Côrtes integra a cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Música. É autor de centenas de obras, dentre as quais dezenas são para piano, que incluem prelúdios, interlúdios, sonatas, sonatina, ponteios, e concertos para piano e orquestra. Seu Choro dengoso trabalha elementos do choro tradicional, ampliando com maestria sobre a linguagem pianística de Nazareth.

Ricardo Tacuchian (1939, Rio de Janeiro): Ernesto Nazareth no Cinema Odeon (2014)
O compositor e maestro Ricardo Tacuchian é membro da Academia Brasileira de Música (cadeira nº 39), instituição que presidiu, e é autor de uma vasta obra contendo mais de 250 títulos, dos quais cerca de 20 são para piano solo. A presente peça, segundo o compositor, constitui: “uma evocação da figura do grande compositor que foi um dos mais executados, gravados e publicados, no Brasil e no exterior, até nossos dias. Tacuchian imaginou uma visita de Nazareth ao Cinema Odeon, onde ele lançou a maioria de seus sucessos. Com a mente tumultuada dos últimos anos de sua vida, ele tenta voltar aos tempos de glória, mas, a cada momento, uma força do além o impele a voltar para seu mundo misterioso (célula Sol-Fá#). Em alguns momentos, Nazareth imagina ouvir os ecos de seus tangos e valsas. Mas finalmente ele deixa o cinema e retorna para a eternidade”.

David Thomas Roberts (1955, Moss Point/Mississippi/EUA): Remembrance (2014)
O compositor e pianista norte-americano David Thomas Roberts combina de maneira especial influências tão díspares quanto Schubert, Wagner e Jelly Roll Morton. Sua obra costuma expandir as fronteiras do que é conhecido por ragtime, em um estilo cunhado como Terra Verde, por um grupo de compositores americanos contemporâneos. Sua Remembrance é uma “valsa triste”, em homenagem aos 80 anos de morte de Ernesto Nazareth, por quem David tem grande admiração, tendo gravado diversas de suas músicas.
Ronaldo Miranda (1948, Rio de Janeiro): Aeroflux (Revisitando Nazareth) (2015) 1ª audição
Pianista, compositor e crítico de música, Ronaldo Miranda integra a cadeira nº 13 da Academia Brasileira de Música, e seus primeiros prêmios como compositor são da década de 1970. Em suas cerca de 90 peças, das quais 11 são para piano solo, os críticos já o compararam a compositores como Stravinsky, Ravel, Bartók, Shostakovich, Prokofieff, Piazzolla e Villa-Lobos. Porém, como sua intérprete Patrícia Bretas ressaltou, “[Miranda] é um brasileiro que escreve com solidez, vigor, ritmo marcado, e faz uso da linguagem que mais lhe apraz no momento, sem compromissos com movimentos temporários”. Sua peça Aeroflux constitui uma série de variações sobre um conhecido tango de Nazareth (que só é citado ao final, e cuja chave está no anagrama do título), e que mescla uma grande pujança rítmica com um lirismo seresteiro.

Tim Rescala (1961, Rio de Janeiro): Os devaneios de um entediado Ernesto Nazareth ao tocar num despovoado Cinema Odeon (2015) 1ª audição
O compositor, pianista, arranjador e autor teatral Tim Rescala é autor de centenas de obras que frequentemente utilizam o humor, sempre de maneira inteligente e original. Suas composições perpassam universos tão variados quanto a música de concerto, o teatro musical, e as trilhas de televisão, que incluem um premiado enfoque ao público infantil. O piano aparece com frequência em sua obra, seja em músicas de câmara, solo, ou piano e orquestra. A presente peça simula o fluxo de pensamentos de um entediado Ernesto Nazareth improvisando ao piano, passeando livremente pelos diversos estilos e autores que faziam parte seu universo musical.

Fabiano Borges (1983, Brasília): Estudo Nazarethiano No.5 (2013) (transcrição de Alexandre Dias para piano solo) 1ª audição
O violonista e compositor Fabiano Borges tem desenvolvido em suas obras e execuções um profundo estudo sobre os ritmos latino-americanos, além de se dedicar à linguagem do violão sete cordas no choro, e a peças de concerto. Tem sido requisitado para compor obras para violonistas concertistas com fama internacional, além de participar de diversos festivais de violão. A presente peça integra a série 12 Estudos nazarethianos para violão solo, e recebeu uma transcrição para piano solo especialmente para esta ocasião.

André Mehmari (1977, Niterói/RJ): Passeando com Nazareth (2013)
A obra do premiado multi-instrumentista e compositor André Mehmari representa uma das maiores inovações da música brasileira dos últimos tempos, transitando entre o improviso e a música escrita, indo desde o trio de jazz até a orquestra sinfônica. A presente peça foi escrita por ocasião dos 150 anos de Ernesto Nazareth, e constitui um verdadeiro estudo para piano, em que o compositor transfigura diversas células melódicas e rítmicas da obra de Nazareth.

Serviço:

Recital: pianista Alexandre Dias
19 de março | sábado | 20 horas
Ingresso: R$30 e R$15 (meia)
Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
(21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

Alexandre Dias
https://www.youtube.com/c/AlexandreDiasPiano

www.institutopianobrasileiro.com.br
Saiba como contribuir:
http://recorrente.benfeitoria.com/InstitutoPianoBrasileiro
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www.ernestonazareth150anos.com.br
www.chiquinhagonzaga.com.br
www.marcellotupynamba.com
www.henriquealvesdemesquita.com.br
www.zequinhadeabreu.com
www.eduardosouto.com.br

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