Núcleo Afro Odomodê recebe oficina e ensaio aberto do Projeto Marujada de Cabôco

11 de março de 2016


Neste dia 11 e no dia 18 de março, o Projeto Marujada de Cabôco realiza oficina seguida de ensaio aberto no Núcleo Afro Odomodê, em Vitória. 

Por meio da ação, também denominada Tambor Dialético, o jornalista e poeta Eduardo Ojú propõe uma brincadeira referendada nos folguedos e saberes populares do norte do Espírito Santo para ser feita nas ruas, em áreas verdes e espaços abertos da cidade. Para isso, os brincantes se organizarão no formato de uma roda, farão uso de instrumentos percussivos e performatizarão uma narrativa mítica a partir de textos em verso e prosa. Para inscrições e mais informações enviar e-mail para: seozuardo@gmail.com. A participação na oficina é gratuita e está aberta para o público em geral.

Iniciado em 2011, o Projeto Marujada de Cabôco é uma experiência literária baseada em pesquisa com grupos de cultura popular dos municípios de São Mateus, Conceição da Barra e Linhares. Esse texto ficcional inspira-se no imaginário do cabôco civilizador, banto botocudo, do litoral norte do Espírito Santo. Em 2015, essa proposta artístico-cultural foi contemplada pelo Edital de Artes Cênicas da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo. A partir daí, Ojú se aprofundou ainda mais nos símbolos, nas narrativas e na estética dos grupos de cultura popular para propor uma performance que busca explicitar a ritualização presente nessas manifestações. Além do próprio autor, Charlene Bicalho e Elaine Vieira também atuam no Projeto.

Sobre a oficina Tambor Dialético

Por meio do Tambor Dialético, o participante será convidado a pensar como os saberes negro e indígena estão presentes na cultura popular e como essas matrizes culturais também são fontes das grandes religiões, ciências, filosofias e artes. No primeiro dia a oficina parte do mundo antigo ao contemporâneo para apresentar o cabôco barrôco e universal - personagem duplo que surge da diáspora africana e do holocausto indígena. Trata-se de propor uma imagem afrocêntrica do ser humano no lugar da representação eurocêntrica. 

No segundo dia da oficina, o público será apresentado ao universo mítico da cultura popular do norte capixaba. Na ocasião, serão descritas e apresentadas as manifestações do Ticumbi, do Reis de Bois e do Jongo, bem como as festas populares de Conceição da Barra, São Mateus e Linhares. Durante a atividade, o participante conhecerá alguns pontos e histórias que compõem a brincadeira Marujada de Cabôco ao manusear diretamente instrumentos de percussão e brincar na roda.

Por fim, o púbico protagonizará a própria brincadeira composta por suas referências e gostos mais os elementos apresentados no Tambor Dialético. “Buscamos através do tambor e da brincadeira de roda refletir sobre a relação cultural entre Espírito Santo e África. Como usamos o que em nós é negro e indígena para pensar e saber?”, explica Eduardo Ojú.

A estética do rito popular

O nome “Marujada” faz referência a um auto popular que reconta a saga dos Mouros e Cristãos durante o período das navegações às Índias, praticado em São Mateus até meados do século passado. Na ficção de Ojú, uma marujada de cabôcos ruma para o mar a fim de submergir nos braços da Calunga, a mulher que é mar e também é morte. Em seguida surge pelas ruas nova brincadeira, dessa vez perpétua e dedicada a São Benedito das Candongas.

Com a pesquisa no campo das artes cênicas, a Marujada de Cabôco busca apreender e recriar a interação que as expressões da cultura popular encenam e o modo como borram a fronteira entre espectador e espetáculo. No Projeto, o universo dos festejos populares faz parte do enrendo e, ao mesmo tempo, dá forma à proposta cênica. A lógica ritualística presente nessas manifestações é compreendida e utilizada enquanto tecnologia de comunicação e uma estética relacional.

Sobre o Núcleo Afro Odomodê
Inaugurado em novembro de 2006, o Núcleo Afro Odomodê desenvolve atividades culturais voltadas para jovens afrodescendentes entre 15 e 29 anos que residem em Vitória. O núcleo é um espaço de formação, convivência e participação que busca estimular, sensibilizar e mobilizar os jovens para a luta contra os preconceitos, violências e exclusões.

Sobre Eduardo Ojú
Formado em jornalismo, é idealizador do Projeto Marujada de Cabôco #tambordialético e da proposta de jornalismo em rede Jornal Barato. Colabora com o grupo Raiz Forte. Ainda na infância, teve seu primeiro contato com a cultura popular através das rodas de capoeira em Pontal do Ipiranga, Linhares, local onde iniciou os primeiros cortejos. Em 2008, conheceu o Jongo por ocasião da fincada do Mastro de São Benedito na cidade de São Mateus. Em 2011, foi contemplado pelo edital Bolsa Cultura Jovem o que lhe possibilitou dedicar-se à pesquisa sobre o Jongo, Reis de Boi e Ticumbi.


Eduardo Ojú traz em seu currículo outras iniciativas artístico-culturais como o coletivo “A Porta do Tapete Voador” e o projeto “Música de Mangueio”. Além de atuar, entre 2009 e 2014, como professor de percussão em oficinas para crianças e jovens do Centro Cultural Araçá. É de sua autoria a trilha sonora do documentário “As últimas responsadeiras”, de Patrik Camporez Mação.


SERVIÇO:
Oficina/Ensaio aberto Marujada de Cabôco / Tambor Dialético
Dias 11 e 18 março, das 10 às 12 horas
Núcleo Afro Odomodê - Escadaria Jaime Figueira, 13, Fonte Grande
Inscrições gratuitas GRATUITAS pelo Fan Page do Projeto Marujada de Cabôco (www.facebook.com/MarujadaDeCaboco) ou pelo e-mail seozuardo@gmail.com
Mais informações: (27) 99705-0767

Fotos: Leandra Barros
Paulo Gois Bastos // Assessoria de Imprensa // 27-98134-6831

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