Poesia todo dia - Orlando Eller: O Poder

28 de janeiro de 2016
O poder

No poder há quem, lá em cima, brigue
e constranja, cá embaixo, os pequenos,
os servos sacados do rebanho vassalo...
cooptados e desprovidos da liberdade,
sequer sabem que, se servos de um,
nada devem ao outro; mas carecem

Porque poder que se arruma de aplauso,
da coopção dos alheios, quase sempre
é patológico, nocivo por isto à plateia
de que emana, plateia confusa, plateia
que bate palmas e submerge as almas
no confuso universo das contradições.

Que poder apetece no país da incerteza,
da anormalidade humana, em que, certo,
deveria haver trilhos, trilhas e caminhos
a seguir, nos quais se entenderiam todos
alegres, como em arena de comunhão
divertida e feliz, sem dor e contradição?

Poder que se exerça assim, objetivo,
sem idade ou vaidade, sem veleidade,
sem desprezo à honra subjetiva, sem
foco que contagie o delicado propósito
da democracia nem o dever do espírito
pacato e bom, é poder universal, poder
em que se acredita por natural que é.





Orlando Eller
é jornalista

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