Dia da Saudade: como lidar com a falta de quem está distante?

29 de janeiro de 2016
O Dia da Saudade, comemorado neste dia 30, o mestre em Psicologia Antonio Elmo dá dicas de como minorar os sentimentos ruins da falta de casa e dos familiares

Sabe aquele aperto forte que sentimos no peito sem saber muito bem explicá-lo, e que, muitas vezes, nos faz recorrer ao cheiro no travesseiro e à foto guardada numa caixinha no armário? 

O nome disso é saudade, um sentimento que a maioria das pessoas sabe bem o que é, especialmente aqueles que perderam alguém ou que têm algum familiar que se mudou para um lugar distante para estudar ou por motivos de trabalho. Nestes casos, a dor da saudade pode ser mais branda.

De acordo com o mestre em Psicologia Antonio Elmo, diretor da Clínica de Psicologia Antonio Elmo, os “sintomas de saudades” existem, sendo que os mais comuns são angústia, nostalgia e tristeza. “Quando a pessoa sente saudade, o primeiro sinal é a sensação de vazio, de falta. Esta sensação causa mal estar, pois a pessoa não consegue identificá-la adequadamente, como se estivesse faltando um pedaço, mas ela está inteira. O segundo é uma tristeza, que causa certa imobilidade à pessoa; ela fica sem vontade de malhar, ir ao cinema, trabalhar, como se tivesse deprimida, mas na verdade, este sentimento é conhecido como ‘banzo’, uma palavra africana que não significa preguiça, nem depressão, mas uma quietude interior que diz respeito a alguém que foi embora”, explicou. Para quem fica, o psicólogo afirma que ter uma foto, um vídeo ou um objeto que a pessoa que se mudou gostava muito, ajuda a minorar a saudade de quem saiu de casa.

No entanto, para quem sai de casa para estudar ou morar em outra cidade, estado ou país, também não é fácil, e a saudade de casa, muitas vezes não tem a ver com a casa em si, mas de coisas familiares. “Quem se deslocou, normalmente sente falta da atmosfera do lugar que deixou e das coisas que o representam. Alguém que se mudou de Vitória, por exemplo, pode sentir falta da moqueca, da caipirinha, do Triângulo das Bermudas, dos hábitos e comportamentos que temos aqui. Se a pessoa se mudou para o exterior e não encontra facilmente o arroz com feijão, a dica é procurar um restaurante que tenha comida brasileira”, exemplificou Antonio Elmo.

A advogada Luana Ribeiro, que há 12 anos saiu de casa para viver no exterior e hoje mora em Perth, na Austrália, com seus dois filhos, conta do que sente mais falta. “Além da saudade da minha família, especialmente da minha mãe e irmãs, sinto falta das festas de aniversário, do Carnaval, do Amigo X do Natal, de sentar num quiosque da praia e comer um peixe frito, de sorvete de coco, quiabo, cajá, papa e pamonha, da roda de violão, da MPB e de canções como as do Djavan, que tem melodia com poesia”, enumera.

Para matar a saudade de casa, Luana procura manter amizade com brasileiros que também moram no exterior e utiliza da internet para manter contato com a família. “Sempre que posso falo com a minha mãe e irmãs pelo Skype e fico em contato com a família pelo Facebook, assim consigo acompanhar o que eles têm feito, os acontecimentos, etc. Já aqui eu tenho amigas brasileiras e a gente tenta se falar e se encontrar sempre que podemos”, contou.

D acordo com Antonio Elmo, o grau de maturidade e autoconhecimento de uma pessoa pode influenciar a forma como ela conduz sua saudade. “Estes dois aspectos influenciam em tudo: na autoestima, na capacidade de lidar com problemas e de resolvê-los. Se a pessoa tem maturidade e autoconhecimento elevados, ela será capaz de ser mais racional do que emocional, compreendendo que a saudade terá um fim, que ela pode ser superada. Quem tem controle do seu ser, certamente sabe viver melhor, com mais tranquilidade”, pontuou o mestre em Psicologia Clínica.

Dicas para diminuir a saudade de casa

- Tenha objetos familiares, com valor sentimental ou cultural, por perto. Eles ajudarão a ficar conectado com sua casa mesmo estando longe;

- Coma suas comidas favoritas;

- Busque fazer atividades que costumava fazer na sua terra natal, como jogar sinuca, ir à academia, entre outras;

- Cultive as relações com amigos e família;

- Tente, ao máximo, se adaptar à nova cultura, pessoas e à rotina do novo lugar;

- Crie novos desejos e metas para o futuro




Antonio Elmo
é Psicólogo

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