Orlando Eller: O bom rebanho - Poesia todo dia

2 de setembro de 2015

Foto: cangalha com bruacas de couro
O bom rebanho


Mestiço rebanho não berra,
mas arrasta carro de rodas
e zorra abocada a cambão;
jamais claudica, mas ouve
sereno o berrante dos amos
feitos de raça, nas beiradas
do curral forrado de bosta.

Rebanho mestiço não brada,
mas suporta cangalha de couro
ajustado em forquilha da mata,
cingida em tiras de sobrecarga
e abrochada no ventre dorido.
Quem disse que encargo de amo
não dói na cacunda da gente?

Rebanho mestiço, pega o canzil
e dele faça tacape, arma mortal
em luta desigual; quem sabe assim,
rebanho, você massacra a carne,
fura e destroça a alma do algoz
e se faz senhor do desejo tão seu
de ver, de viver, de sentir e de amar.




OEller
Agosto 2015

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