Domingo, 13, terceiro dia do 22º Festival de Cinema: homenagem ao cineasta Penna Filho

13 de setembro de 2015
22º festival de cinema de vitória homenageia cineasta Penna Filho

Falecido este ano, o capixaba Penna Filho vai ser lembrado com exibição do seu último filme “Das Produndezas”, que trata dos trabalhadores das minas de carvão e da ditadura.

Além de exibir filmes da nova safra nacional e promover atividades de formação, o 22º Festival de Cinema de Vitória prestará homenagens a grandes nomes do cinema brasileiro.

Entre os destaques da programação está a Sessão Especial Homenagem a Penna Filho, que lembrará o trabalho do diretor capixaba, falecido em abril deste ano, com a exibição de seu último filme “Das Profundezas” (2013).

A homenagem acontecerá no domingo (13/9), às 15 horas no Theatro Carlos Gomes.

A obra é uma ficção inspirada na história dos trabalhadores das minas da região carbonífera de Santa Catarina que travaram uma das mais emblemáticas lutas sindicais do Brasil, em 1987.

Na ocasião, depois de uma greve, foi criada uma cooperativa, representando a primeira experiência de auto-gestão operária no sul do Brasil.

Em “Das Profundezas”, Penna Filho aborda também, como pano de fundo, a ditadura militar de 1964, cujo legado de desaparecimentos encontra analogia na política do carvão.

A partir disso, o diretor apresenta uma história de esperança e força, criada pela união das pessoas, com fatos e personagens reais que inspiram a narrativa ficcional – a exemplo da história do líder sindical José Paulo Serafim.


O filme foi vencedor do Prêmio Cinemateca Catarinense e exibido no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) 2015.

Além disso, foi selecionado para a lista final do programa Encontros com o Cinema Brasileiro.

Está entre os filmes escolhidos para exibição no Festival Internacional de Havana e acabou de ser selecionado para ser exibido também no Festival de Cinema do Piauí.

O diretor apresenta uma história de esperança e força, criada pela união das pessoas, com fatos e personagens reais que inspiram a narrativa ficcional – a exemplo da história do líder sindical José Paulo Serafim.

O filme foi vencedor do Prêmio Cinemateca Catarinense e exibido no Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM) 2015. Além disso, foi selecionado para a lista final do programa Encontros com o Cinema Brasileiro (de onde serão escolhidos filmes para exibição no Festival Internacional de Havana).

Temática recorrente


Penna Filho pesquisou o tema da mineração por mais de 20 anos, o que deu origem, em primeiro lugar, ao curta-metragem “Naturezas Mortas” (1995), vencedor do Kikito do Júri Popular no Festival de Gramado; da Margarida de Prata da CNBB;entre outros.

“Das Profundezas”, por sua vez, dá sequência à pesquisa do cineasta, que encontrou uma série de dificuldades para essa produção. Além da falta de apoio das mineradoras, do orçamento limitado e dos riscos de filmar em uma mina de carvão, Penna Filho foi diagnosticado com câncer no intestino em 2011.

O diretor contou com o apoio da família para dar início à produção do longa e, somente dois anos depois, ainda enfrentando os efeitos da quimioterapia, pode participar das filmagens. Penna desceu a mais de 150 metros de profundidade para mostrar as perigosas e lamentáveis condições de trabalho no interior das minas.

Parcerias

A música do filme foi composta por Silvia Beraldo e conduz o espectador na escuridão do labirinto formado por galerias e túneis. Silvia tem grande experiência no cinema.

Como flautista, acompanhou Tavinho Moura, entre 1978 e 1984, participando de discos e shows do Clube da Esquina. Participou também do filme “Cabaré Mineiro”, de Carlos Alberto Prates, como instrumentista e atriz.

Sobre Penna Filho

Nascido em Santo Antonio, Vitória, no Espírito Santo, Adalberto Penna somou mais de 40 anos de carreira como cineasta e mais de 30 filmes no currículo.

Na juventude, gostava de jogar futebol no campo do Racing e, desde cedo, dizia que seu sonho era fazer cinema.

Nessa época, o trabalho e o interesse comum por literatura, cinema, música e rádio, o uniu a dois companheiros de rádio, Marien Calixte e Oswaldo Oleari, uma amizade que formou um trio inseparável pelas ruas de Vitória e pelos tempos afora.


Na capital paulista, trilhou sua carreira no cinema, de 1959 até 1991. Após experiência no jornalismo, decepcionado com a repressão e censura da ditadura, passou a atuar como ator, continuísta e assistente de direção. Nos anos 60, trabalhou na equipe de Mazzaropi, com participações em filmes como “O Corinthiano” e “O Puritano da Rua Augusta”.

Sua estreia como diretor foi em ”Amores de um cafona” (1969), uma comédia romântica e intimista  que resultou num filme típico da chanchada carioca. O segundo filme que dirigiu foi “O diabo tem mil chifres” (1970), considerado pela censura do regime militar como “imoral e iconoclasta”.

Dedicou-se também à televisão com trabalhos na TV Globo, como Globo Repórter e Fantástico, e na TV Cultura, onde recebeu diversos prêmios.

Penna Filho sempre esteve comprometido com as causas sociais e levou para as telas personagens que carioca. O segundo filme que dirigiu foi “O diabo tem mil chifres” (1970), considerado pela censura do regime militar como “imoral e iconoclasta”.

Dedicou-se também à televisão com trabalhos na TV Globo, como Globo Repórter e Fantástico, e na TV Cultura, onde recebeu diversos prêmios.

Penna Filho sempre esteve comprometido com as causas sociais e levou para as telas personagens que considerava excluídos da “história oficial”, como o jogador de futebol Ademir da Guia, o pintor Victor Meirelles e a índia Kaingang Fendô (e sua longa luta para a recuperação das terras do seu povo, no Oeste de Santa Catarina).

O diretor faleceu aos 79 anos, em Florianópolis, no dia 30 de abril de 2015. A seu pedido, suas cinzas foram espalhadas na ilha de Vitória.


O 22º Festival de Cinema de Vitória é uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA).

Conta com patrocínio do Ministério da Cultura através da Lei Rouanet, da Petrobras, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Rede Gazeta.

Parceria da Secretaria de Cultura do Espírito Santo e da Prefeitura Municipal de Vitória.

Apoio institucional do Instituto Sincades e do apoio do Canal Brasil, CiaRio, DOT, Mistika, Cinecolor, Cesan, Ufes e site Adoro Cinema.

Enviado por Patricia Galleto

Pitaco do Oleari

Meu manuvéi Penna Filho e eu tínhamos que ter dado certo como amigos, parceiros de trabalho, de copo e de garfos. Era um sujeito meiqui mal encarado, pois estava sempre com aquela cara de sujeito muito sério.

O que não era, na verdade. Era extremamente bem humorado e era um humorista também. Gozava os deuses, o mundo, as torcidas do Mengão e do Parrrmêra.

Por causa de algumas gozações, a propósito, chegou a ser muito mal visto pelos serviços de segurança da maldita ditadura de 1964/1968 e só não foi encanado por sorte.

Chegou a ser dispensado de alguns trabalhos de que não gostava e só topava por necessidade, devido à malhação ao tipo de trabalho e aos "gênios" de plantão. Afinal, café da manhã, almoço, "janta" e cerveja da noite precisavam ser garantidos.

Ele foi pra São Paulo em 1959 pra 1960. Outro parceiro, o Envete - Enézio Velozo Teixeira, grande texto e grande voz - foi pouco depois. Lá, eles conviviam e trabalhavam em veículos diversos. Traçaram, entre outros, TV Bandeirantes, TV Excelsior, TV Globo, Rede Tupi de Rádio e Televisão.

Em 1971, lá fui eu também pra São Paulo. Nos reencontramos, claro, pra papos dimontão, regados a muita cerveja e feijoadas de madrugada.
Lembro-me de que Penna não se conformou por eu estar hospedado num hotelzim na boca do lixo, na Rua Aurora, o Hotel ìstria, de uns portugueses, logo que cheguei à pauliceia desvairada.

Me convocou a ir com ele e Envete prum apartamentim muito mal emjambrado, mas baratim, na Barra Funda, perto do Garitão, que era uma grande casa de dança e outros babados.
Fizemos nossos roteiros, cada um tava empregado em um lugar diferente, mas não nos separávamos. Mais tarde, moramos bem próximos, Penna, Memê e Fabinha (salvo algum equívoco de algum neurônio enferrujado), na rua Eça de Queiroz, eu, mais embaixo, numa pequena travessa da rua Pelotas, atrás do Instituto Biológico de São Paulo - bem próximo ao Parque Ibirapuera.

Teimoso quinemqui um trem, ele fincou o pé e disse que ia fazer cinema direto e reto. E fez. "Das Profundezas" foi um dos seus mais acalentados projetos.

- "Um dia, quero denunciar esse processo quase escravagista das minas de carvão e a "gloriosa" - dizia ele, que tratava assim a ditadura militar (Oswaldo Oleari).

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