Casa do Joca: uma fábrica sem ideias

6 de setembro de 2015
Reeditada por ter saído com incorreções decorrentes de alguns pequenos ajustes que estão sendo feitos - mais lentamente do que o desajuste fiscal do Doutor Levi - no portal.

No princípio, era uma boa ideia. Quando o prefeito decidiu criar a fábrica de ideias, tudo era um mar de intenções. De boas intenções. O local deveria ser uma ponte para o desenvolvimento de Vitória, com foco na criatividade. Formaria conjunto com o Parque Tecnológico Metropolitano e a TecVitória, estes focados na inovação tecnológica, a fábrica focada na inovação estética, artística, na cultura, na moda, no design, no audiovisual, na música etc. Juntos, os projetos delineavam um novo ciclo para a cidade.

Tudo muito antenado, tudo parecia muito bem pensado. Mas durou pouco, a bem dizer. Ainda naquele ano de 2013, o então secretário de Turismo, Trabalho e Renda, Paulo Renato Fonseca Júnior, misturava alhos e bugalhos e apontava para o passado: "o local sediará grandes eventos, cursos de qualificação na área de moda, comunicação, informática, metalmecânico, construção civil, entre outros, oficinas diversas e de acordo com as demandas de mercado."

Cursos de qualificação em metalmecânica, construção civil? O que isso tem que ver com uma fábrica de ideias? Pior, para espaço que deveria ser uma das âncoras de um ciclo econômico baseado na criatividade, voltado para o vir-a-ser da cidade e das coisas, o que pode ser mais antagônico que agir “de acordo com as demandas de mercado”?

Veio o ano de 2014, e a Fábrica de Ideias foi inaugurada com novo secretário de Turismo, Trabalho e Renda responsável pelo local, Leonardo Krohling, e o que estava um pouco fora de rumo foi perdendo-se de vez. Naquele ano, a Fábrica sediou eventos, sem uma atuação constante. E eventos tão descolados de seu propósito inicial como um Feirão de Recuperação de Crédito, o Baile da Terceira Idade e a entrega de ingressos do desfile das escolas de samba.

E 2014 terminou ainda pior, com a instalação do balcão de empregos do Sine no local. Nada mais distante do fomento de uma nova economia, voltada para o conhecimento e a criatividade. Em 2015, a fábrica sem ideias já sediou a Semana do Enfermeiro e o Arraiá do Servidor, e deve sediar novas edições do Baile da Terceira Idade e do Feirão de Recuperação de Crédito.

A Fábrica de Ideias era uma boa ideia. Ainda é. Resta saber se há alguém com disposição e competência para transformá-la em realidade.

Post scriptum

No dia seguinte à postagem, o prefeito Luciano Rezende me ligou cumprimentar pelo artigo e informar, em primeira mão, duas iniciativas que vão alavancar as atividades na Fábrica de Ideias: a implantação de uma startup conectada ao Vale do Silício e um convênio com o Ifes para o desenvolvimento de programa voltado para tecnologia e economia criativa.

Com essas ações, na visão do prefeito, a cidade vai consolidando o que ele chama de parque tecnológico difuso, reunindo a Fábrica de Ideias, o Parque Tecnológico em construção em Goiabeiras e iniciativas que serão feitas no Centro, integradas à política de revitalização da área.

Vamos acompanhar. E aguardar novas ações que integrem iniciativas ligadas às artes e à cultura nesse processo.

Joca Simonetti é jornalista

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