Rubens pontes comenta Poesia todo dia e cita Florbela, Quintana, Alex Kruger e Andra

20 de julho de 2015
Pitaco do Oleari

Meus diálogos com o parceiro Rubens Pontes geralmente são cercados de questões que formulo para provocá-lo. Não sem razão. Bebo dos seus ensnamentos e me delicio com seus textos, sempre ricos de elegância, erudição e bom gosto. Aí está mais um exemplo dos nossos entreveros.

Ele, um mestre, me trata como tal indevidamente, claro (Oswaldo Oleari).

Leiam Rubens Pontes
daqui prabaixo

- Mestre Oleare

Se eu fosse congressista, mas membro de um Congresso sadio, eu apresentaria um projeto de lei sem admitir emendas
Mais ou menos assim:


Artigo único 

- Fica absolutamente proibido tecer críticas sobre produções poéticas.

Jutificativa

Mário Quintana ditou para que todos entendêssemos "que a gente aceita à primeira vista ou não aceitará nunca: a poesia é o mistério evidente".


E há um soneto da poeta dos meus amores, Florbela Espanca, cuja primeira quadra é como uma oração rezada no altar barroco de uma igreja das Gerais:

"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino do Aquém e de Alem Dor!"

Nada digo, pois, que bobo não pretendo ser, senão que gostei da mensagem contida no poema de Alex Krüger. Ele vai direto à fonte buscar água para ungir seu coração. Parece ter escrito o poema como um compositor batendo compasso, com ritmo e cadência.

A "nossa" Andra Valadares voa cada vez mais alto. Faz versos como quem respira; sem eles, não há vida para ela. Sorte nossa.

Mais ou menos a propósito do que defende a super star, Anderson Nunes registrou:

"Poesia, segundo o modo de falar comum quer dizer duas coisas:
- a arte, que a ensina, e a obra feita com arte; a arte é poesia,
a obra o poema, o poeta o artífice" (Rubens Pontes).




Rubens Pontes 
é jornalista

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Andra Valladares
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Andra Valladares
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Andra Valladares

Olá Oleari e Rubens,

Grata pela citação do meu nome e pela poética colocação de que seja alguém que “faz versos como quem respira”. Isso me tocou e me inspirou. Lembrou-me também, o dizer poético de Manuel Bandeira, com sua famosa "chave de ouro" no poema “Desalento” : “eu faço versos como quem morre”. Ele, que sempre teve uma saúde frágil e fazia versos como quem “queria viver” apesar de saber que a morte o espreitava.

Rubens, concordo plenamente com sua colocação. E se fosse congressista, sua “lei literária” seria mesmo de extrema relevância. Poesia não se explica, é algo que se sente (ou não). Algo que nos toca (ou não). Por isso mesmo, depois de escrito, o poema passa a ser do leitor. É ele quem o “escolhe” como expressão válida de determinado sentimento, situação ou o que quer que seja. Os poetas, têm a sensibilidade suficiente para expressar o que muitas pessoas sentem ou pensam, mas não conseguem traduzir em palavras.

Daí, o leitor pega “emprestada” a visão poética com a qual se identifica, mesmo que entenda de forma diferente do que o poeta realmente quis dizer. O poema sempre tem um quê de mistério que admite vários entendimentos. E é justamente isso que o diferencia dos textos em prosa. Tentar "explicar" um poema é o mesmo que tentar explicar o aroma de uma determinada flor para quem a desconhece.

Don Oleari

Quanto a mim, nossa musa, agradeço esse seu diálogo com o Rubens Pontes, num nível de interpretação e linguagem que só vocês, os privilegiados poetas, sabem e podem ter.
O Rubens, que está viajando hoje para Belo Horizonte, certamente apreciará seu belo comentário.

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