Resgate do Febeapá e Stanislaw Ponte Preta - Samba do crioulo doido - Diagonal, Oswaldo Oleari

1 de julho de 2015




Como estamos em alta temporada da descoberta da mandioca, do homem sapiens e da mulher sapiens, e do mistureba histórico do famoso seriado da televisão "Operação Lava Jato", campeão de audiência, com a Inconfidência Mineira, resolvi resgatar um tiquim de um cara sensacional, o criador do Febeapá - Festival de Besteira Que Assola o País, Stanislaw Ponte Preta, "primo" de Sérgio Porto, como ele mesmo dizia.

Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente, quando fomos recebidos por ele em seu apartamento de Copacabana, este colunista e o radialista Osvaldo Amorim. 

Seguindo um tantim o seu estilo de tratar com algum humor e sarcasmo alguns fatos e personagens do dia a dia de Vitória e periferia - nos anos 1960/70, naturalmente muito menos periferia - contava alguns causos na minha coluna Diagonal, em Gazeta. 

Leitores da minha coluna recortavam esses causos e mandavam pro Stanislaw na Últma Hora. Ao que parece, ele apreciava, pois aproveitou vários deles em sua coluna seguidamente. 

Com um detalhe: Stanislaw me tratava como "o coleguinha jornalista Oswaldo Oleari, de Vitória, conta que...."



Portal DOPC apresenta à sua meia dúzia e meia de leitores a mandioca, este grande patrimônio do Brasil Varonil.


Curiosamente, Stanislaw Ponte Preta (ou seu criador, Sergio Porto, foto) não é um personagem do século 12. 

É mais recente.

É considerado pelos entendidos como um dos mais autênticos e brilhantes contadores da vida e dos costumes cariocas, grande cronista que foi, além de contista, produtor e apresentador de televisão, radialista, e sobretudo um pensador livre, crítico e bem humorado do seu tempo.

A crônica paralela conta que, na verdade, Sérgio Porto teria sido envenenado por agentes da ditadura militar, que odiavam seu humor cáustico contra o regime surgido do golpe de 1964. 

Sobretudo o seu "Febeapá - Festival de Besteira que Assola o País".

Stanislaw Ponte Preta foi um dos colunistas mais lidos do Rio de Janeiro e do Brasil no jornal Última Hora, fundado pelo jornalista Samuel Wainer.

Em sua famosa coluna da Última Hora, Stanislaw criou "As Certinhas do Lalau", por onde desfilavam as vedetes e mulheres mais lindas e gostosas da cena carioca. 

Em sua memória, por sugestão do nosso manuvéi Penna Filho, jornalista e diretor de cinema, criamos no Portal DOPC "As Certinhas do Oleari", nome escolhido por ele, Penna Filho.

Quarteto em Cy - Stanislaw Ponte Preta - SAMBA DO CRIOULO DOIDO - Sérgio Porto -



Esta do Quarteto Em Cy é uma gravação de 1967. O destaque desta gravação é o próprio autor, Stanislaw Ponte Preta, falando na introdução e anunciando as trapalhadas do sambista que ele criou.

A letra

Composição: Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto)

Foi em Diamantina
Onde nasceu JK
Que a Princesa Leopoldina
Arresolveu se casá
Mas Chica da Silva
Tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa
A se casar com Tiradentes
Lá iá lá iá lá ia
O bode que deu vou te contar
Lá iá lá iá lá iá
O bode que deu vou te contar
Joaquim José
Que também é
Da Silva Xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu Pedro II
Das estradas de Minas
Seguiu pra São Paulo
E falou com Anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a Dom Pedro
E acabou com a falseta
Da união deles dois
Ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão
E foi proclamada a escravidão
Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
Da. Leopoldina virou trem
E D. Pedro é uma estação também
O, ô , ô, ô, ô, ô
O trem tá atrasado ou já passou


Pros preguiçosos feissibuquianos que só conseguem curtir linki, um aviso: o vídeo é bem curtim.

Neste vídeo aí embaixo, que vale a pena ser visto porque há diversas falas do próprio Sergio Porto, dá pra se ter a dimensão do que foi um grande autor, na verdade desdobrado em dois grandes autores: Sergio Porto e seu heterônimo, Stanislaw Ponte Preta. Ele está com 92 anos.



Stanislaw Ponte Preta
Sérgio Porto
11/01/1923
Natural:
Rio de Janeiro - RJ
29/09/1968

Em uma próxima coluna, revelo mais coisas sobre Sergio Porto, um autor que merece ser conhecido, principalmente pela meninada aí das redes soxuais (Oswaldo Oleari).

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Andra Valladares

Muita doideira mesmo esse samba... rs
Se fosse hoje, certamente ele seria processado por racismo, pq não se pode falar mais nada nesse país, tudo vira preconceito.

Don Oleari

Pois é, nossa poeta, fiz um registro hoje de que até agora não apareceu nenhum "chaíta" - mistureba de chato com xiita - pra reclamar a mudança do nome pra Samba do Afrodescendentão Doido...Valeu.

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