Poesia todo dia - Rubens Pontes comenta Lindolf Bell, cita Drummond e manda Cora Colarina

5 de julho de 2015
Por Oswaldo Oleari

Recorro rigorosamente a meu amigo, parceiro e tutor intelecquitual Rubens Pontes sobre questões inerentes, jaqui não sou dos mais letrados e me atropelo diante de dúvidas e perplexidades constantes. 

No imeil - ainda somos da época do imeil - perguntei a ele:

- Oceviu isso daí? - sobre o poema do Lindolf Bell que roubartilhei de uma postagem de outro querido amigo, o Valério Fabris.


Considero-me um privilegiado por ter amigos e parceiros assim, de tal nível, pois é muito frequente o Rubens me responder, oferecendo um textim de primeira e brincando com seu farto conhecimento.


Vejam aí, os que não são só de curtir linki ou retratim no maledeto feissibuqui, o que tudo vê, tudo sabe, tudo ouve, tudo bisbilhota. 

Daqui prabaixo é Rubens Pontes juntando Valério, Bell, Drummond e nos presenteando com um Cora Coralina. 

- "Comendador Don Oleari,

- Leio o poema sugerido pelo Valério Fabris, o box com o registro de Lindolf Bell,
e me vejo justificando meio cinicamente seu pedido com algumas premissas.

Primeiro, velho, mas não bobo, me casei com uma mulher bem mais nova para, quando chegar aos 95, não ter ao meu lado uma companheira de 90. Um desastre para os dois! 

Segundo, que pude me tornar absolutamente seletivo em leituras e em entretenimento. 

E finalmente, (mais) preguiçoso e (quase) glutão. Aí, eu me pergunto e me respondo:

- Se alguém antecipou opinião, da maneira com que encaro a proposição
do meu amigo Oleare, e se esse alguém é também meu conterrâneo, por 
que não transcrever seu poema com quem nem ousaria sonhar minha vã 
filosofia?

- Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar os olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica
quando tocamos a pessoa certa.


Por Carlos Drummond de Andrade, para Fabris e Oleare. Rubens".

E Rubens (o do retratim aí, à direita) arremata assim, propondo-me uma leitura do que certamente deva sempre ser lido. Diz Rubens:

- Se você não leu, o que é pouco provável, leia "Meu Destino" de Cora Coralina, que começa mais ou menos assim:

"Nas palmas de tuas mãos
Leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas
Interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes
Íamos sozinhos por estradas diferentes...


Cora Coralina

"Meu Destino"

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes – 
íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...

Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado 
com a pedra branca da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos
juntos pela vida...

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