Programa completo do pianista Alexandre Dias nesta sexta em Brasília

26 de setembro de 2014

O recital em Brasília será nesta sexta às 20 horas na Casa Thomas Jefferson da asa sul, entrada franca. O pianista fez anotações do seu roteiro desta noite.

Notas sobre o programa

Franz Schubert (1797-1828, Áustria): Momento Musical Op.94 no.6 (1824)
Publicado separadamente em 1824 sob o título Plaintes d'un troubadour (Queixas de um trovador), é talvez o momento musical mais lírico dos seis, explorando nuances sutis através de constantes modulações. Schubert é reconhecido como um mestre do lied, característica que se revela também em suas composições para piano solo, que trazem consigo sempre uma expressiva linha melódica.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791, Áustria): Concerto para dois pianos 3º mov. Rondo: Allegro (ca.1775). Transcrição de Johann Nepomuk Hummel (1778-1837, Eslováquia) para piano solo.
Hummel estudou com Mozart por dois anos e, além de se tornar um dos maiores pianistas da transição do classicismo para o romantismo, realizou algumas das primeiras grandes transcrições para piano solo da história, incluindo as sinfonias No.40 e 41 de Mozart, abertura de As Bodas de Fígaro, e o magnífico concerto para dois pianos e orquestra, cujo rondó do 3º movimento possui uma grande vivacidade rítmica. A cadência ao final desta transcrição foi composta por Hummel.

Felix Mendelssohn (1809-1847, Alemanha): Canção sem palavras Op. 85 No.4 "Elegia" (ca.1840)
Consistindo em 48 peças escritas ao longo de 16 anos, as Canções sem palavras atingiram um status especial no repertório de salão do século XIX, sendo presença constante em saraus familiares. Todas possuem melodias proeminentes cantantes, que não receberam letras. Embora os subtítulos tenham sido acrescentados por editores, vários se cristalizaram com o tempo, como esta “Elegia”, que teve como um de seus primeiros divulgadores o pianista russo Vladimir Horowitz. Sobre estas peças, Mendelssohn escreveu: “As pessoas em geral reclamam que a música é tão ambígua; que ficam em dúvida sobre o que pensar quando a escutam, enquanto todos entendem as palavras. Para mim, é o contrário... As palavras me parecem ambíguas, tão indefinidas, tão abertas a mal-entendidos em comparação com a música real que preenche nossa alma com milhares de coisas melhores que palavras”.

Robert Schumann (1810-1856, Alemanha): Toccata Op.7 (1834)
Escrita durante a juventude de Schumann, esta é talvez a única peça do compositor cuja motivação inicial foi a técnica pianística. Sua primeira versão composta em 1830 foi intitulada “Exercício”, 100 compassos mais curta que a versão final. Composta de uma miríade de dificuldades técnicas (notas duplas, terças paralelas, oitavas repetidas, saltos na mão esquerda), Schumann acreditava que sua Toccata Op.7 provavelmente era a peça mais difícil já escrita para piano até então. Tendo servido de inspiração para toccatas compostas no século XX, como a de Sergei Prokofieff, sua linguagem soa moderna para o ouvinte atual.

Emmanuel Chabrier (1841-1894, França): Idílio (Peças Pitorescas No.6) (1880)
Desde sua estreia, as 10 Peças Pitorescas de Chabrier causaram grande impacto em músicos como César Franck, Alfred Cortot e depois Magda Tagliaferro, uma de suas grandes divulgadoras. Francis Poulenc afirmou: “sem hesitação, eu declaro que as Peças Pitorescas são tão importantes para a música francesa quanto os Prelúdios de Debussy”, e, após ouvir o Idílio pela primeira vez em 1914, escreveu: “um universo harmônico se abriu de repente diante de mim e de minha música”. Com indicação “avec frâicheur et naiveté” (com frescor e ingenuidade), em toda a peça ouvimos uma longa melodia sustentada sobre pizzicatos de maneira engenhosa, com inovações harmônicas que prenunciavam o modernismo francês.

Sergei Rachmaninoff (1873-1943, Rússia): Prelúdio Op.23 No.5 (1901)
Estreado pelo próprio compositor em 1903, este prelúdio tornou-se uma de suas peças mais tocadas e gravadas. Sua alla marcia vigorosa contrasta com o lirismo da parte central, distribuído em três planos independentes. Aqui vemos a sonoridade do piano explorada em sua totalidade, fazendo uso do imenso conhecimento técnico que Rachmaninoff possuía como pianista e apontando novos caminhos para a música russa.

Francis Poulenc (1899-1963, França): Novelette No.1 (1927)
A primeira das três novelettes carrega consigo uma grande singeleza e profundidade. Sua linguagem harmônica associa as inovações do modernismo francês (e do grupo Les Six, do qual Poulenc fazia parte) com uma linguagem neo-clássica, reminiscente do estilo galante do século XVIII.

Nikolai Kapustin (1937, Ucrânia): Estudo de Concerto Op. 40 No. 1 Prelúdio (1984)
Formado pelo Conservatório de Moscou e ao mesmo tempo um pianista de jazz excepcional, Kapustin é um dos compositores mais interessantes da atualidade, reunindo a técnica virtuosística de concerto com o jazz escrito. Sua obra é prolífica, contendo até o momento 20 sonatas, seis concertos para piano e diversas peças de câmara. Seus 8 Estudos de Concerto Op.40 estão entre as grandes peças da literatura pianística universal e podem ser ouvidos em gravação pelo próprio compositor.

Ricardo Tacuchian (1939, Brasil): Ernesto Nazareth no Cinema Odeon (1ª audição) (2014)
Membro da Academia Brasileira de Música (Cadeira No.39), Ricardo Tacuchian está entre os grandes compositores da atualidade, com uma vasta obra contendo mais de 250 títulos, incluindo peças para piano com uma linguagem altamente pessoal. Composta no ano em que o compositor comemora seus 75 anos de idade, a presente peça foi dedicada a Ernesto Nazareth. O próprio compositor a explica na partitura: “(...) Ela é uma evocação da figura do grande compositor que foi um dos mais executados, gravados e publicados, no Brasil e no exterior, até nossos dias. Tacuchian imaginou uma visita de Nazareth ao Cinema Odeon, onde ele lançou a maioria de seus sucessos. Com a mente tumultuada dos últimos anos de sua vida, ele tenta voltar aos tempos de glória, mas, a cada momento, uma força do além o impele a voltar para seu mundo misterioso (célula Sol-Fá#). Em alguns momentos Nazareth imagina ouvir os ecos de seus tangos e valsas. Mas finalmente ele deixa o cinema e retorna para a eternidade”.

David Thomas Roberts
(1955, EUA): Remembrance (1ª audição) (2014)
O compositor e pianista americano David Thomas Roberts combina de maneira especial influências tão díspares quanto Schubert, Wagner e Jelly Roll Morton. Sua obra costuma expandir as fronteiras do que é conhecido por ragtime, em um estilo cunhado por ele como Terra Verde, em conjunto com outros compositores americanos. Sua Remembrance é uma “valsa triste”, em homenagem aos 80 anos de morte de Ernesto Nazareth, por quem David tem grande admiração, tendo gravado diversas de suas músicas.

André Mehmari (1977, Brasil): Passeando com Nazareth (2013)
Escrita por ocasião dos 150 anos de Ernesto Nazareth, esta peça constitui um verdadeiro estudo para piano, em que Mehmari transfigura com sua genialidade única diversos temas e células melódicas/rítmicas da obra de Nazareth. A obra de Mehmari representa uma das maiores inovações da música brasileira dos últimos tempos, abarcando tanto peças de caráter popular quanto erudito (como as peças estreadas pela OSESP).

Alexandre Dias, piano (afsdias@gmail.com)
Abraços,

Alexandre Dias
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