Emmanueldo Kant: Filósofos Universitários

29 de maio de 2014
Nosso filósofo favorito


Há exatos 6 anos, nosso colaborador Emmanueldo Kant nos enviou este texto, que terá sido publicado no então Blogui Don Oleari.
Emmanueldo Kant era nomeado como "professor, humorista, filósofo" em suas colaborações.

Há pelo menos uma ano e meio Emmanueldo Kant não aparece por estas bandas. Nesse tempo, apareceum uma vez para avisar que voltaria. Não voltou. O Rubens Pontes e eu, acostumados com os textos do nosso Kant, que também tratávamos como Primeiro e Único, sentimos muita falta do nosso parceiro, sempre instigante e provocador.

A reprodução do texto abaixo é mais uma tentativa de saber por onde anda tão brilhante personagem, que também sempre foi ouvinte assíduo do nosso programa "Clube da Boa Música", às terças-feiras, de oito às dez da noite na Rádio Universitária FM - www.univertsitariafm.ufes.br - 104.7 (Oswaldo Oleari e Rubens Pontes).

O texto de Emmanueldo Kant

Don Oleari,

- As questões histórias introduziram-se de tal modo na filosofia universitária que esta se resume a perguntas como: o que pensa tal ou qual filósofo? merecerá tal lição ser realmente aprendida? é ela realmente um estudo de filosofia?.

- Essa maneira de tratar a matéria desenraizou a filosofia universitária de todos os problemas fundamentais. Em lugar de levar os estudantes a levantarem questões sobre a existência, preocupa-se com as minúcias da história da filosofia. Assim, a filosofia reduz-se a um ramo da filosofia.

Para Schopenhauer, não existem filósofos na universidade, mas professores que vivem da filosofia, interessados em pensar no que seus interesses materiais exigem e no que convém ao Estado e a religião.

- O que os filósofos universitários não perceberam é que o Estado moderno não é mais aquele idealizado por Platão. Este considerava necessária a criação de um organismo social completamente novo, no qual a formação do jovem ateniense não dependesse dos pais (que consideravam loucura a vocação filosófica dos filhos e, por isso, condenaram Sócrates a tomar cicuta, sob a acusação de "corromper a juventude").

Nietzsche achava que Platão e Schopenhauer jamais poderiam ter sido filósofos universitários. Representariam um perigo para o Estado.

- A vida precisa de uma cultura sadia, e, para isso, são imprescindíveis instituições de ensino voltadas para a cultura. Elas não existem ainda, mas devem ser criadas.

Não devem ter por objetivo o pequeno-burguês que aspira a um posto de funcionário ou a um ganhão-pão qualquer; ao contrário, precisam voltar-se para a criação de indivíduos realmente cultos, formados a partir da necessidade interna da fusão entre vida e cultura e capazes de exercer toda a potencialidade de seu espirito.

Estas instituições devem, ainda, ajudar a natureza na criação do filósofo e do artista e protegê-lo da "conspiração do silêncio" com que sua época o exclui.

Saludos, Emmanueldo do Jardim Colorado.

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