Alencar Garcia de Freitas: locutor deficiente visual

26 de novembro de 2013
Vendo um programa de televisão e nele atuando uma narradora deficiente visual, não me causou nenhuma surpresa.

José Barbosa foi um grande cantor e um excelente locutor.

Na década de 1950, conheci e trabalhei com um locutor na Rádio Aimorés – ele era dublê de cantor e locutor – chamado José Barbosa, com ótima dicção e impostação de voz, que fez bastante sucesso como locutor comercial da emissora.

Se vivo fosse, o grande e saudoso Nabor Vidigal, que também foi locutor lá, testemunharia em meu favor, mas está aí, bem vivo, Esdras Leonor, que foi meu colega na ocasião e certamente estaria pronto para atestar o que escrevo.

Mas, como um cego de nascença pode ser locutor? Primeiro, ele se tornou locutor por acaso. Faltou um dos locutores e ele – José Barbosa – se ofereceu para substituir o faltoso, e o mais interessante é que Geraldo Silva, o diretor, autorizou.

- Vista noturna de Aimorés/MG.

E agora? Um locutor cego lendo comerciais! Só que José Barbosa tinha uma memória fora de série!

De tanto ouvir os locutores, inclusive eu, lendo os comerciais e a ordem deles na grade, sabia todos de cor e salteado e os apresentava tão bem que recebeu a aprovação de todos os colegas e da própria direção para continuar atuando como locutor por muito tempo.

Mais: quando ele tinha que cantar – ele era cantor da emissora - cantava e também fazia os comerciais dos seus patrocinadores.

Quer dizer que a Rádio Aimorés, bem antes de qualquer veículo de comunicação de massa abrir espaço para os deficientes, já aproveitava e incentivava profissionais com necessidades especiais!

Ao ouvir a locutora deficiente visual  acima referida atuando e muito bem, fiz uma retrospectiva há mais de 50 anos e, emocionado, homenageei a memória de Geraldo Silva, primeiro diretor de Rádio com que trabalhei, na minha querida Aimorés, em Minas Gerais, na divisa com Baixo Guandu, Espírito Santo, dirigente de extraordinária visão de futuro, que deu o pontapé inicial para uma causa tão importante.

Quanto mais a sociedade valorizar e respeitar, não só os profissionais mas também todos os demais cidadãos com necessidades especiais, estará contribuindo para a construção de um povo verdadeiramente cidadão.

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